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sábado, 24 de julho de 2010

Vai entender...


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Cada dia que passa me surpreende mais as diferenças entre nós seres humano, é interessante passar algum tempo analisando o jeito de ser das pessoas,  das crianças... Como somos diferentes um dos outros, às vezes até damos graças a Deus por isso, não é mesmo? Não queremos ser parecidos com certas pessoas, mas quando nos deparamos com alguém que se comporta "melhor", muitos de nós nem nos damos conta! É por isso que a palavra de Deus diz que o amor dEle nos constrange, deveríamos nos constranger mais quando nos deparamos com comportamentos nobres, esses que muito em breve serão algo raro entre nós. Infelizmente os seres humanos estão tomando a direção contrária, estamos na contra mão da palavra de Deus.

Tenho tentado passar para os meus filhos, que não é somente quando estamos diante de um fato horroroso devemos nos sentir inquietos, boquiabertos. Aprender com os erros dos outros e fazer diferente é importante, mas muito melhor querer ser parecido com quem se comporta de maneira adequada e ficar tão incomodado quanto se nos deparamos com um fato ruim. Já reparou quando chamamos a atenção dos nossos pequenos eles logo dizem que algum coleguinha age assim também, ou quando dizemos que não se pode fazer algo, soltam logo que a mãe do fulano deixa? Meu adolescente é mestre: - Ah! Mãe mas o fulano perdeu muito mais nota que eu! A mãe do cicrano nem vai contar para o pai que ele perdeu nota. O contrário, pelo menos aqui em casa nunca aconteceu, chegar com uma nota abaixo da média e enumerar os colegas que se saíram melhor. Por que será  comparamos nosso comportamento sempre baseados em comportamentos iguais ou inferiores aos nossos, quando não nos comportamos adequadamente? Penso que muitos de nós não mudamos por isso, nos nivelamos sempre por baixo e infelizmente hoje é banal nos depararmos com pessoas que se comportam de maneira egoísta, irresponsável, imoral, enfim, comportamentos intolerantes.

sábado, 24 de abril de 2010

Desabafo de uma professora.

As consequencias atingem toda a sociedade.
Comecemos por educar realmente nossas crianças, em casa, no condomínio... no bairro...

Caros amigos, peço que leiam e repassem esse e-mail. É um relato de uma professora sobre a realidade da escola pública. Sem o apoio da mídia, só nos resta a internet para divulgar o que acontece.

PROFESSOR – UMA ESPÉCIE EM EXTINÇÃO
Por Verônica Dutenkefer (20/06/2009)

Esse texto que escrevo precisamente agora é mais um desabafo.
Desabafo de uma profissional que está lecionando há mais de 22 anos e que não sabe se sobreviverá por mais dez anos, que é o tempo que ainda precisará trabalhar (por mais que ame muito o que faz).
Trago comigo muitas perguntas que não querem calar. E talvez a mais inquietante seja: O que será necessário acontecer para se fazer uma reforma educacional neste país????
Constantemente, ouço ou leio reportagens com as autoridades educacionais proclamarem a má formação de seus professores. Culpando as Universidades, a falta de cursos de formação e culpando-nos, evidentemente.
Questionamentos:
Como um professor de escola pública pode fazer o seu trabalho se ele precisa ficar constantemente parando sua aula para separar a briga entre os alunos, socorrer seu aluno que foi ferido por outro aluno, planejar várias aulas para se trabalhar os bons hábitos, na tentativa vã de se formar cidadãos mais conscientes e de melhor caráter?
Nos cursos de formação nos é passado constantemente a recusa de um programa tradicional e conteudista, mas nossas avaliações de desempenho das escolas, nossos vestibulares e concursos públicos ainda são tradicionais e nos cobram o conteúdo de cada disciplina.
Como pode num país.....num estado...num município haver regras tão diferentes entre a rede particular e pública? 

segunda-feira, 15 de março de 2010

Torradas Queimadas

Quando eu ainda era um menino, ocasionalmente, minha mãe gostava de fazer um lanche, tipo café da manhã, na hora do jantar. E eu me lembro especialmente de uma noite, quando ela fez um lanche desses, depois de um dia de trabalho, muito duro.
Naquela noite longínqua, minha mãe pôs um prato de ovos, linguiça e torradas bastante queimadas, defronte ao meu pai. Eu me lembro de ter esperado um pouco, para ver se alguém notava o fato. Tudo o que meu pai fez, foi pegar a sua torrada, sorrir para minha mãe e me perguntar como tinha sido o meu dia, na escola.
Eu não me lembro do que respondi, mas me lembro de ter olhado para ele lambuzando a torrada com manteiga e geléia e engolindo cada bocado.
Quando eu deixei a mesa naquela noite, ouvi minha mãe se desculpando por haver queimado a torrada. E eu nunca esquecerei o que ele disse:

quarta-feira, 3 de março de 2010

Por que é tão importante brincar?



As crianças saudáveis não precisam aprender a brincar. Esta atividade é natural e é o maior desejo infantil. É tão comum ver uma crianças brincando que, se ela não o faz, achamos que ela possa estar triste e desinteressada, e pensamos que alguma coisa pode estar errada, ou que ela até esteja doente.
O importante para poder desenvolver atividades lúdicas é ter contato com um ambiente que permita ao bebê se soltar livremente e confiar nos braços de um adulto. Isto acontece quando uma mãe intuitiva e tranqüila estabelece uma relação saudável, sensível e brincalhona com seu filho.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

“Brincar é condição fundamental para ser sério” - Arquimedes

no
Querer ser pai e mãe tem que ser um desejo genuíno, não dá para tomar essa decisão baseado na opinião de parentes ou amigos.
Criança é um ser em crescimento, é maravilhoso vê-la se desenvolver, mas dá trabalho sim, e como! A dedicação tem que ser intensa, principalmente nos primeiros anos de vida. Depois essa dedicação continua e se transforma em preocupação com o desempenho escolar, talvez desespero na adolescência, alegria ou tristeza no vestibular e assim por toda a vida. Somos fãs de nossos filhos e por isso mesmo, nos alegramos em vários momentos e sofremos em tantos outros.
Mas como criá-los bem? Eles nascem sem bula e sem manual de instrução. Com criança pequena é preciso estar disponível, não só em termos de tempo, mas disponível internamente, pois elas demandam informação e orientação constantes! Perguntam o tempo todo, são curiosas, cheias de energia e ainda sem noção do perigo. É mandatário que pai e mãe tenham uma linha parecida de educação de seus filhos para não haver dupla ordem, ou seja, a mãe deixa e o pai proíbe, a mãe aceita e o pai discorda.
É preciso dar limites e, por mais angustiante que seja, tem que saber dizer não! O limite traz segurança para a criança e delimita um pouco esse mundo imenso em que ela vive. O não dos pais também é importante, embora seja difícil sustentá-lo e agüentar os berros e a choradeira, mas isso mostra à criança que os pais sabem o que é melhor para ela e, conseqüentemente, irão protegê-la de supostos perigos.
A criança faz parte da família, mas não deve ser a dona da casa. Vejo famílias que modificam todos os hábitos de vida em função do que a criança quer. Não é assim que educamos bem! Há programas em que a criança participa e há outros que devem ser feitos somente pelo casal, já que esse casal ainda existe como homem e mulher e precisam ter um pequeno espaço, que seja.
Outro problema que constato é o número de atividades que crianças de 5 ou 6 anos já possuem. Muitos chegam a ter atividades extracurriculares diárias: ballet, natação, inglês, espanhol, música. Tentem dosar essas atividades para sobrar tempo para o contato com a família. Além disso, deixem tempo livre para essa criança brincar, criar, imaginar! Isso é condição fundamental para um bom desenvolvimento emocional, cognitivo e comportamental.


Escrito por Dra. Luciana Campaner 22-Dez-2008

Luciana Campaner é psicóloga clínica e Mestre em Neurociências pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP).


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Filhos responsáveis: Como atuar?

Teresa Artola González

Seu filho não nasce responsável ou irresponsável. O sentido da responsabilidade não se transmite geneticamente, mas se aprende com a experiência. A ação dos pais é básica e a vida em família constitui a principal escola.

A RESPONSABILIDADE

SE APRENDE NA VIDA FAMILIAR

Um erro muito freqüente de muitos pais é pretender prolongar mais além do devido a infância das crianças impedindo-lhes na prática que assumam responsabilidades.

A melhor idade para estabelecer o sentido da responsabilidade é entre os sete e os onze anos. Neste momento se vivem Períodos Sensitivos que facilitam o cumprir com o dever assumido ou escolhido:

-O amor à justiça.

-A disposição de ajudar.

-O desejo de ficar bem.

-O afã de superação.

O que a criança adquire nesta idade sobre o sentido da responsabilidade é essencial já que o preparará para enfrentar as crises que acontecem na puberdade e adolescência.

Certamente, pode começar muito antes. Tenha em conta que uma criança a qual lhe permite fazer de tudo não é mais feliz que aquela a qual se lhe exige com amor.

NUNCA É MUITO CEDO

PARA EDUCAR NA

RESPONSABILIDADE

Para que uma criança aprenda a ser responsável, os pais devem:

DESTACAR-LHE RESPONSABILIDADES: Se os pais fazem tudo pela criança e tomam todas as decisões, a criança nunca aprenderá a ser responsável.

COMEÇAR MUITO CEDO: Durante a infância. A seguir, na puberdade, a delegação de responsabilidades irá aumentando.

INFORMAR-LHE SOBRE A EFICÁCIA DE SUAS RESPOSTAS: A criança deve saber como se está desenvolvendo e há de aprender com seus erros.

DAR-LHES APROVAÇÃO E RECONHECIMENTO: Quando atuam de forma responsável. Isto lhes infundirá confiança e segurança em si próprios.

Os encargos ou responsabilidades familiares

É comum que em muitos lares os pais, e com freqüência apenas a mãe, carreguem sobre seus ombros todos os trabalhos:

-As tarefas domésticas.

-A sustentação do lar.

-O cuidado da roupa de cada um.

-As gestões relacionadas com seus estudos: matrículas, uniformes, livros ...

Entretanto, os pequenos encargos ou responsabilidades constituem uma forma maravilhosa de educar a responsabilidade. Além disso, contribuem para que todo o trabalho não recaia sempre nas mesmas pessoas. Ter um encargo concreto aos 4 ou 5 anos torna possível que aos 15 ou 16 anos seja lógico o colaborar no lar. Pelo contrário, se esperar que seu filho fique maior para exigir-lhe responsabilidade, isso vai ser difícil.

OS FILHOS DEVEM COLABORAR

NO BOM ANDAMENTO DO LAR

Do mesmo modo que desde muito pequeno acostumamos nossos filhos a que comam e se vistam sozinhos, devemos acostumar-lhe a ir fazendo por si próprios o que, razoavelmente, e de acordo com sua idade, são capazes de fazer.

Nunca é muito cedo para ensinar ao filho a ser responsável. Nos primeiros anos de vida pode fazê-lo como um jogo. Enquanto seu bebê começa a engatinhar pode estimular–lhe para que recolha seus jogos. Desde que seu filho tem 2 ou 3 anos pode assumir pequenas responsabilidades:

-Ajudar colocar a mesa.

-Tirar os guardanapos.

-Regar as plantas.

-Ajudar mamãe a fazer as camas nos dias que não há colégio.

-Preparar sua roupa para o dia seguinte.

-Apagar as luzes.

-Recolher seus objetos pessoais.

Entre os 5 - 7 anos pode assumir responsabilidades maiores como, por exemplo:

-Atender o telefone.

-Tomar banho e vestir-se sozinho.

-Cuidar de algum animal.

-Tirar o lixo.

-Limpar sistematicamente o banheiro, o lavabo ...

-Comprar diariamente produtos como: o pão, o leite ...

-Varrer o chão.

-Passar o aspirador.

-Limpar seus sapatos ...

Pouco a pouco, a criança terá que ir aprendendo a deixá-lo de fazer como um jogo (porque lhe diverte) a fazê-lo ainda que nesse momento não lhe resulte apetecível. Deverá aprender, que na vida, há coisas desagradáveis ou aborrecedoras e que não há mais remédio que aceitar se se quer crescer. Se a criança observa que seus pais e irmãos maiores realizam estas tarefas de forma regular compreenderá que há certas tarefas necessárias que deve fazer.

Para que um encargo desenvolva a responsabilidade, a criança deve ser consciente de que tem que responder ante alguém pelos trabalhos realizados. Os pais deverão, portanto, avaliar periodicamente seu cumprimento.

É importante que seu filho entenda bem em que consiste seu encargo, para que possa cumpri-lo. Além disso, deve entender o propósito da tarefa: isto é, por que é importante que o faça.

Na hora de distribuir os encargos convém respeitar as iniciativas de seu filho: bem no que diz respeito ao encargo escolhido, ou melhor quanto à forma de cumpri-lo. Se se pode escolher livremente estará exercitando sua responsabilidade. Deve-se procurar que cada filho tenha o encargo que possa cumprir bem. Desta forma poderão experimentar a satisfação do trabalho bem feito e verá reforçado seu próprio sentimento de auto-estima.

Para isso é importante que os pais recompensem periodicamente o comportamento responsável, já que é difícil que seu filho aumente sua capacidade para ser responsável se não consegue nenhuma recompensa ou elogio por seu comportamento. Pelo contrário se continuamente se lhe critica, ridiculariza ou tacha de irresponsável, seu filho acabará acreditando que o é e comportando-se como tal.

ELOGIE SEU FILHO

QUANDO SE COMPORTA

DE FORMA RESPONSÁVEL


A medida que vão crescendo, os pais deveremos procurar que a motivação para cumprir com suas responsabilidades provenha deles mesmos. Para isso deveremos conversar muito com os filhos e fomentar sua capacidade de reflexão. Devemos ajudar-lhes a considerar as coisas e argumentar examinando as razões ou motivos que aconselham atuar de um modo ou outro; a prever as conseqüências de suas decisões livre e a atuar em conseqüência disso.

Entre os 7 e os 11 anos estão em pleno período sensitivo da responsabilidade. Podemos estimular sua responsabilidade, das seguintes formas:

-Mediante os encargos ou responsabilidades familiares.

-Ensinando-lhe a tomar decisões.

Acostumando-o a:

-Prestar contas de seu trabalho e dos encargos que lhe encomendaram.

-Prestar contas do dinheiro que utiliza.

-Realizar bem seus trabalhos sem interrupções.

-Terminar as atividades que começa.

-Valorizar a qualidade do trabalho realizado.

-Usar responsavelmente seu material e cuidá-lo.

-Aceitar a responsabilidade de suas faltas.

Já na adolescência há poucas coisas nas quais não devemos responsabilizá-lo. Podemos, por exemplo, encarregar-lhe de que faça por si próprio os trâmites para matricular-se, tirar o documento de identidade ... A esta idade deveremos ir-lhe colocando a par dos problemas familiares, das necessidades econômicas e pedir sua opinião à hora de tomar decisões que afetem a todos.

Assim, se desde pequenos se acostumam a assumir responsabilidades, quando se adquirem independência de nós estarão preparados para fazer-se cargo de sua própria vida.


Fonte: Livro “Como resolver situações cotidianas de seus filhos de 6 a 12 anos”



Muito interessante essas dicas, faça uso delas.



terça-feira, 25 de agosto de 2009

Dedicação integral ou carreira profissional?

As alegrias e as preocupações de mães que optaram por uma ou por outra solução

Sofia Cerqueira e Melissa Jannuzzi

Ricardo Fasanello/Strana
Fernanda Venturini jogadora de vôlei Para voltar às quadras, Fernanda fez um contrato especial com o BCN de Osasco, especificando que poderia levar a filha, Júlia, 1 ano e 4 meses, para todas as concentrações e jogos. A menina se hospeda com a babá no mesmo hotel em que fica o time. Presença freqüente nos estádios, Júlia já virou a mascote das jogadoras.
Não existe regra. Algumas mulheres conseguem manter o mesmo ritmo de antes, outras vivem buscando o tão sonhado equilíbrio e há ainda aquelas que optam por abrir mão de tudo. O sonho e a realização da maternidade vêm sempre acompanhados de um grande dilema: como se dedicar aos filhos e, ao mesmo tempo, crescer profissionalmente? A resposta não é uma simples questão de certo ou errado. Cada mãe encontra a própria fórmula. "Acho que filho vem para somar. Ficaria muito infeliz se deixasse a minha profissão", diz a atriz Claudia Raia, 36 anos, que trabalhou até duas semanas antes de a pequena Sophia nascer e voltou às gravações dois meses e meio depois. "Acho que ser mãe é ter enorme vontade de acertar. O que é bom para mim pode não ser para outra mulher", comenta a advogada Olga Antunes Maciel, 30 anos, que largou a promissora carreira no mercado financeiro para cuidar de Laura, 1 ano e 2 meses. "No meu contrato exigi que minha filha estivesse sempre comigo. Ela me acompanhou em todos os jogos e virou a mascote do time", diz a jogadora de vôlei Fernanda Venturini, 32 anos, mãe de Júlia, 1 ano e 4 meses, que acabou de ser campeã da Liga Nacional pelo BCN de Osasco. Não tem jeito. As escolhas, por mais diferentes que sejam, são sempre acompanhadas de momentos de incerteza. "É importante a mãe ser uma mulher realizada, independentemente de trabalhar ou não", avalia a psicanalista Márcia Rodrigues Ganime, da Sociedade Brasileira de Psicanálise no Rio. Pelo menos no próximo domingo, Dia das Mães, todas vão ter um motivo especial para estar em casa. Ricardo Fasanello/Strana Claudia Raia atriz Claudia estabeleceu condições para voltar ao trabalho apenas dois meses e meio depois de dar à luz Sophia: só gravaria duas horas por dia. Com o filho mais velho, Enzo, 6 anos, o retorno foi depois de um ano e dois meses. Nos intervalos das cenas, fugia para encontrá-lo mesmo que por pouco tempo. Claudia Martins/Strana Olga Antunes Maciel dona-de-casa (ex-executiva do mercado financeiro) Com a carreira em ascensão, Olga tomou uma decisão radical: largou tudo três semanas depois do fim da licença-maternidade. Ela só pensava em voltar para casa. Sua agenda agora inclui apenas cuidar de Laura, 1 ano e 2 meses, e do planejamento doméstico. "Diria que hoje sou uma profissional muito realizada." Nem que seja por pouco tempo. Daniela Maluf, 32 anos, executiva do Banco Opportunity, vive numa eterna correria. Diariamente ela passa onze horas longe das filhas Carolina, 9 anos, e Giovana, 6. "Elas sabem que são o que tenho de mais importante. Se temos uma boa vida, é porque trabalho muito", diz. O dia da executiva começa às 5h20, quando malha por uma hora. "É o único horário só para mim." Para coordenar crianças, babá, empregada e motorista, Daniela lança mão de bilhetes pela casa. "Isso dá segurança a todos. Ainda assim ligo cinco vezes por dia", admite. Para compensar o esforço de todos e, é claro, sua ausência, sempre que recebe um bônus do banco, presenteia as filhas e os empregados. Como Daniela, a publicitária Teresa Cicupira, 44 anos, sabe muito bem o que é viver com a agenda lotada e o tempo contado. Não agüentou. "Eu não soube dosar", diz ela, que, como muitas mulheres bem-sucedidas, ao dar à luz os gêmeos Maria Helena e Carlos, hoje com 8 anos, não alterou sua carga de trabalho. Quando as crianças estavam prestes a completar 4 anos, tomou uma decisão radical: largou o cobiçado posto de diretora da conta da De Beers, a maior mineradora de diamantes do mundo, na agência J.W. Thompson. "Quando via uma mulher parar de trabalhar, achava que ela ia ficar fora do mundo, só falando de babá e do feijão que queimou", lembra Teresa. Seu expediente era de doze horas por dia e ela fazia seis viagens internacionais por ano. Numa dessas ausências por causa do trabalho, veio o estalo: "Meus filhos estão crescendo, e um dia vou deparar com adultos que não conheço". A publicitária virou mãe em tempo integral. Bruno Veiga/Strana pediatra A médica encontrou sua fórmula de conciliar carreira e maternidade: reduziu os plantões a dois por semana. No resto do tempo, cuida de Luísa, 5 anos, e de Fernanda, 5 meses. Tem a ajuda do marido, que já passou por alguns sufocos. "Ele chegou até a botar uma roupa minha quando Luísa era bebê para ver se ela se acalmava com o cheiro." A questão do tempo, de fato, é o problema que mais atormenta as mães. Difícil encontrar alguma que não se assombre com o pesadelo de que seus filhos se transformem em adultos egoístas e inseguros por falta de dedicação materna. "Quanto mais horas a mãe puder ficar com o filho, melhor. Se o tempo é curto, o importante é a qualidade", diz a psicanalista Márcia Ganime. "O tempo tem de ser só para a criança. Não adianta dividir a atenção com os afazeres da casa", completa. Estreante no papel de mãe, a atriz Maria Ribeiro, 27 anos, faz planos para não desgrudar do rebento quando voltar ao batente – começa a ensaiar uma peça em agosto. "Criança feliz é junto da mãe. Prefiro ele mal-ajambrado num camarim a ser criado por outra pessoa", diz Maria, casada com o ator Paulo Betti e mãe de João, de 1 mês. A atriz, porém, nem pensa em abrir mão da carreira. "Vou ser uma mãe melhor se não deixar de fazer as coisas de que gosto", comenta ela. Claudia Raia, mãe de Enzo, 6 anos, e de Sophia, 3 meses, também acredita que é possível conciliar as funções de mãe e de profissional. Desde que o filho era bem pequeno, sempre dava a mesma explicação ao sair de casa: Mamãe vai trabalhar, mas volta. "Estou muito feliz por exercer a profissão que amo", confessa Claudia. Sophia, no entanto, conheceu ainda mais cedo a rotina da mãe. Claudia soube que estava grávida quando ia começar a gravar a novela O Beijo do Vampiro e o autor, Antônio Calmon, adaptou a história da vampira infértil ao estado interessante da atriz. De volta aos estúdios, com a filha recém-nascida em casa, não escapou dos sufocos. "Só gravava duas horas por dia. Mesmo assim, uma vez peguei um engarrafamento e o Edson (Celulari) teve de levar a Sophia, que chorava sem parar, até o meio do caminho para ser amamentada." Bruno Veiga/Strana Teresa Cicupira dona-de-casa (ex-publicitária) Ela foi até o limite: depois de ter os gêmeos Maria Helena e Carlos, hoje com 8 anos, manteve o ritmo de doze horas de trabalho por dia durante quatro anos. Os filhos ficavam com babás enquanto ela fazia até seis viagens internacionais por ano. Optou por largar a publicidade para acompanhar o crescimento das crianças. Cláudia Martins/Strana Maria Ribeiro atriz Novata no papel de mãe, Maria, que há um mês teve João, pretende voltar ao trabalho em agosto. Ela acredita que criança feliz é criança ao lado da mãe. Mas nem por isso pensa em se afastar dos palcos ou dos estúdios. "A vida toda vi outros artistas carregando os filhos para as coxias. Pretendo fazer o mesmo com meu filho." Improvisos fazem parte da rotina das mães que vivem divididas entre os cuidados com a família e a dedicação profissional. Júlia, 1 ano e 4 meses, filha de Fernanda Venturini e do técnico Bernardinho, já tem mais horas de vôo do que muito adulto. "Em todas as concentrações, ficava num quarto com a jogadora Virna e Júlia dividia outro em frente com a babá. Foi a condição que impus para voltar a jogar", conta Fernanda, que mora no Rio e nos últimos meses, quando defendia o BCN de Osasco, se mudou para São Paulo. Por causa da agenda de jogos da mãe, Júlia não segue a rotina rígida dos bebês de sua idade. "Você tem de montar uma estrutura de acordo com sua vida. De que adianta ela dormir às 7 da noite se não vê a mãe? Ela assiste a todos os meus jogos nos estádios", orgulha-se. A menina virou o xodó das outras atletas. "Ela tem de se acostumar com o barulho e o ritmo de vida dos pais." Fernanda, que chegou a se despedir das quadras ao engravidar, voltou atrás seduzida pelo desafio de mais um título. "Só entrei em deprê quando o Bernardo ganhou o Mundial de Vôlei e eu não estava ao lado dele. Eu me sentiria frustrada se não voltasse a jogar", afirma. Para não correr o risco de ficar dividida, a ex-executiva do Bank of America Olga Antunes Maciel, 30 anos, decidiu deixar para trás as aspirações profissionais. Largou a rotina de onze horas de trabalho diário três semanas depois de voltar da licença-maternidade. "Senti que não pertencia mais àquele lugar. As horas se arrastavam, e minha cabeça estava em casa." Olga, mãe da bochechuda Laura, 1 ano e 2 meses, está completamente realizada numa rotina de sopinhas, fraldas, pracinha e supermercado. "Quando me perguntam sobre a vida profissional, digo que hoje, sim, sou muito realizada, mas como mãe", declara. Fotos Ricardo Fasanello/Strana executiva do Banco Opportunity A correria de Daniela começa às 5h20, quando acorda para malhar. Ela passa onze horas longe das filhas, Carolina, 9 anos, e Giovanna, 6, e administra a rotina doméstica com bilhetes e telefonemas. "As meninas não reclamam porque sabem que não há opção. Sou muito feliz, e elas sabem que são o que existe de mais importante para mim", diz. Pôr um freio na carreira e dedicar mais tempo à criação dos filhos é uma decisão difícil. Nem começá-la, então, mais ainda. "As pessoas se surpreendem quando descobrem que nunca trabalhei e que optei por isso para cuidar dos filhos", diz Andréa Marinho, 27 anos, mãe de Tiago, 5, e de Felipe, 1. Casada com um consultor de informática, ela dedica as 24 horas do dia às crianças. "Quando vejo alguma mãe executiva nas reuniões de escola, não sinto um pingo de inveja. Gosto da minha vida assim, estou realizada", afirma. E enumera as vantagens: "Escutei a primeira palavra, vi o primeiro passo, o primeiro dente nascer..." Como em qualquer opção, a vida de mãe em tempo integral tem seus prós e contras. "Se trabalhasse, sobraria mais dinheiro para viagens e diversão", diz. A pediatra Flávia Bordallo, 36 anos, não cogitou a hipótese de parar de trabalhar depois de ser mãe, mas reduziu drasticamente sua carga horária. Até o nascimento de Luísa, 5 anos, trabalhava sessenta horas semanais. "Encontrei o meio-termo. Trabalho em minha área, mas não faço mais tantos plantões", conta Flávia, que tem ainda a pequena Fernanda, 5 meses, e duas vezes por semana dá plantão de doze horas na UTI neonatal da Clínica Perinatal. Mesmo assim, precisa da ajuda do marido, o advogado Marcelo Freire. "Meu marido pegou o jeito com criança no tranco. Hoje troca fralda, dá banho, mamadeira...", conta a médica, lembrando-se do sufoco que Marcelo passou logo que ela voltou aos plantões noturnos após o primeiro parto. "Ele ficou tão desesperado com o choro da Luísa que vestiu uma roupa minha para ver se ela sentia o cheiro e se acalmava", recorda, bem-humorada.

Patrícia Vasconcellos executiva da Shell Os dias de semana são para o trabalho. Os fins de semana, para os filhos. Patrícia conciliou o crescimento profissional com a educação de Bruno (à esq.), 20 anos, Rafael, 19, e Lucas (à dir.), 17. Os meninos sempre estudaram em período integral. "Não me sinto culpada. Apesar do pouco tempo, sou uma mãezona."

A opção de se dedicar exclusivamente aos filhos, de administrar a vida profissional e a educação da prole ou de não alterar em nada o ritmo de trabalho, no entanto, não impede que as mães vivam angústias e expectativas semelhantes. "Apesar de ficar muito tempo fora, eu me considero uma mãezona", diz Patrícia Vasconcellos, 50 anos, diretora de vendas para grandes clientes da Shell. "Quando um filho a impede de fazer o que gosta, você corre o risco de virar uma chata e um dia acabar cobrando", acredita Claudia Raia. A executiva da Shell fez desse pensamento sua cartilha. Teve os filhos Bruno, 20 anos, Rafael, 19, e Lucas, 17, no espaço de três anos. Nem por isso diminuiu o ritmo ou deixou de investir na carreira. Os filhos sempre estudaram em período integral e seus fins de semana eram 200% dedicados a eles. É claro que, na correria do dia-a-dia de uma executiva-mãe, não faltaram situações atípicas. "Por falta de tempo, eles colecionaram vários vales-presente em aniversários e Natais", lembra. "Mas ela sempre estava presente nos momentos importantes", afaga o filho Bruno. Não existe mesmo fórmula. Mãe é sempre mãe.

Andréa Marinho dona-de-casa Mãe à moda antiga, Andréa nunca trabalhou fora e se dedica 24 horas aos filhos Tiago, 5 anos, e Felipe, 1, e à casa. Sua opção surpreende as pessoas. "Não sinto um pingo de inveja de quem trabalha", diz. Por causa da escolha, o orçamento da família fica prejudicado. "Não mudaria nada. Eu me sinto feliz assim." VEJA - RIO Esta reportagem é bem antiga... 7 de Maio de 2003

sexta-feira, 27 de março de 2009

OS FILHOS NÃO PODEM ESPERAR

"OS FILHOS NÃO PODEM ESPERAR" (Children Won't Wait) "Há um tempo de se esperar pela chegada do bebê, tempo de consultar o médico. Há um tempo de planejar dietas e exercícios, tempo de preparar o enxoval. Há um tempo de se maravilhar com os caminhos de Deus, na certeza de que este é o destino para o qual fomos forjadas. Há um tempo de sonhar com o que essa criança poderá ser. Um tempo de orar a Deus, pedindo sabedoria para educar esta criança que carregamos. Um tempo de preparar-nos para que possamos nutrir também a sua alma. Mas eis que logo chega o tempo de nascer. Pois os filhos não podem esperar! Há um tempo para alimentá-los à noite, tempo de cólicas e remédios. Há um tempo para balançar e um tempo para andar pelo assoalho, Há um tempo para a paciência e para o auto-sacrifício, Tempo de mostrar-lhes que o seu novo mundo é um mundo de amor, de bondade e de confiança. Há um tempo de ponderar sobre o que eles são... não brinquedos, mas pessoas, indivíduos... almas criadas à imagem de Deus. Há um tempo para considerar a nossa participação. Não podemos possuí-los. Eles não são nossos. Nós fomos escolhidas para importarmo-nos com eles, amá-los, apreciá-los, nutri-los e dar contas a Deus por tudo isso. Nós devemos fazer o melhor para eles, Porque os filhos não podem esperar! Há um tempo de abraçá-los bem forte e contar-lhes as mais belas histórias que conhecemos. Um tempo de mostrar-lhes Deus, na terra, no céu e na flor; para ensinar-lhes a admiração e o respeito. Há um tempo de deixar os pratos na pia, para balançá-los no parque, Apostar uma corrida, fazer desenhos, apanhar uma borboleta e dar a eles uma amizade alegre. Há um tempo de apontar-lhes o caminho a seguir, de ensinar seus lábios infantis a orar, De ensinar-lhes a amar as palavras e o dia de Deus. Porque os filhos não podem esperar! Há um tempo para cantar, em vez de resmungar, de sorrir em vez de franzir a testa. De enxugar as lágrimas com um beijo e sorrir dos pratos quebrados. Há um tempo para compartilhar com eles as nossas melhores atitudes... o amor pela vida, o amor à Deus e o amor pela família. Há um tempo para responder às suas perguntas, todas as suas perguntas. Porque poder vir um tempo em que eles não queiram mais as nossas respostas. Há um tempo para ensiná-los, pacientemente, a obedecer, tirando mesmo os seus brinquedos. Há um tempo para ensiná-los sobre a beleza do dever, de habituá-los ao estudo da Bíblia, À alegria do respeito ao lar e à paz da oração. Porque os filhos não podem esperar! Há um tempo de vê-los sair bravamente, rumo à escola, de sentirmos sua falta em nosso caminho. De sabermos que outras mentes têm a sua atenção, mas que estaremos prontas para recebê-los, quando voltarem ao lar, E ouvir, ansiosamente, a história do seu dia. Há um tempo de lhes ensinar independência, responsabilidade e autoconfiança. De sermos firmes, mas amigas, de disciplinarmos com amor. Pois cedo, muito cedo, haverá um tempo de deixá-los partir, desligados dos nossos aventais, Porque os filhos não podem esperar! Há um tempo de guardarmos como tesouro, cada efêmero minuto da sua infância. Somente dezoito preciosos anos para inspirá-los e treiná-los. Nós não trocaríamos esse precioso patrimônio por quinquilharias como posição social, reputação profissional ou nos negócios, ou por qualquer tipo de pagamento. Uma hora de interesse, hoje, pode salvar anos de melancolia amanhã, A casa pode esperar, os pratos podem esperar, o quarto novo pode esperar, Mas os filhos não podem esperar! Haverá um tempo em que já não se ouvirão mais portas batendo, nem haverá brinquedos na escada, ou brigas infantis, ou marcas de dedos na parede. Então, olharemos para trás com alegria e não com remorso. Haverá, então, o tempo de nos concentramos em serviços fora de nossos lares; Visitando os doentes, os enlutados, os desanimados, os iletrados; Dando de nós mesmos para o 'menor destes'. Haverá um tempo de olhar para trás e saber que estes anos de maternidade não foram desperdiçados. Oremos para que haja um tempo de ver nossos filhos se tornarem pessoas justas e honestas, amando a Deus e servindo a todos. Deus, dê-nos a SABEDORIA para entender que HOJE é o nosso dia com os nossos FILHOS. Que não há um momento em suas vidas que não seja importante. Que entendamos que nenhuma outra carreira é tão preciosa, Que nenhum outro trabalho é tão recompensador, Nenhuma outra tarefa tão urgente! Que possamos não adiar nem negligenciar esta tarefa, Mas, pelo Teu Espírito, que a aceitemos de boa vontade, com alegria e júbilo, e pela Tua graça a realizemos Porque o TEMPO é curto e o nosso tempo é AGORA. Porque os filhos não podem esperar! (Helen M. Young - 1911/2002)

quinta-feira, 26 de março de 2009

Mães, Pais e o exercício da autoridade

“Por que o pai tem mais autoridade do que a mãe?” Essa pergunta, feita por uma jovem mulher em uma reunião que fiz com pais de duas escolas em Curitiba, merece nossa atenção. Afinal, é grande o número de mães que dedicam boa parte do tempo à educação dos filhos e que se desgastam mandando que eles façam isto ou aquilo e que só são atendidas com muita insistência. E quando elas constatam que se o pai manda o filho fazer algo ele pode ser atendido de pronto, ficam cismadas. Afinal, por que isso ocorre?

Vamos, então, pensar um pouco a esse respeito. Em primeiro lugar, é bom reconhecer que o exercício da autoridade é praticado de modo bem diferente por homens e mulheres e não apenas com os filhos. Não podemos considerar que um seja mais efetivo que o outro tampouco melhor, mas que é diferente, é.

Em segundo lugar, é preciso também lembrar que a função da mãe na vida da criança tem características distintas das da função do pai. Aliás, função não tem necessariamente relação com a figura, ou seja, a função materna pode ser exercida pelo pai e a paterna pela mãe. Quando, por exemplo, uma criança acorda no meio da noite e é o pai levanta para acalmá-la, ele exerce nesse momento a função materna, caracterizada como proteção, aconchego, aquietação. Quando uma criança pequena pede para dormir com a mãe porque o pai está viajando e ela não permite, está a exercer a função paterna que é a de colocar a ordem familiar em ato, organizar os papéis dos integrantes e suas relações.

Pois bem: como ainda cabe à mãe, em geral, a maior parte do trabalho com os filhos, rapidamente estes identificam o quanto podem jogar com as ordens dela, qual o espaço de tolerância e de paciência com que contam para retardar a obediência. É bom lembrar quer as crianças pequenas permitem que sejam educadas pelos pais por um único motivo: medo de perder o amor deles. Desse modo, se comportam assim com a mãe porque identificam que não correm tal risco.

Esse fato, aliado às diferenças citadas no início, acaba por construir o quadro do qual muitas mães reclamam. Mas, quando a mãe se desgasta em demasia com essa situação, pode mudar: basta deixar claro aos filhos que o limite de jogo com as ordens que dá ficou mais restrito. Só que, como a criança já aprendeu diferente, precisa de um tempo – e paciência da parte da mãe – para se adaptar.

Em resumo: as crianças são muito hábeis em identificar o espaço autorizado implicitamente para transgredir ou retardar uma ordem dada, por isso é preciso localizar nos pais e não nelas as reações que apresentam frente ao exercício da autoridade.

Escrito por Rosely Sayão

quarta-feira, 25 de março de 2009

Tão longe, tão perto

Os pais nunca declararam amar tanto os filhos quanto agora. Eles fazem tudo o que podem e o que às vezes nem devem porque, por amarem tanto os filhos, não suportam vê-los sofrer. Esforçam-se para dar a eles o melhor da vida porque querem que os filhos tenham tudo o que eles próprios, quando crianças, não tiveram. Estabelecem com os filhos um relacionamento aberto, íntimo e amigável porque não querem ser autoritários e distantes como foram seus pais. Enfim: os pais estão, hoje, apaixonados pelos filhos.

É compreensível: em um mundo no qual os laços afetivos entre os adultos estão sempre por um fio e se desfazem por qualquer bobagem, o clima de insegurança afetiva provoca novas buscas. Como a união com os filhos é a única que, atualmente, só a morte dissolve, ela tem servido como o porto seguro afetivo dos pais.

Para ter idéia de quão longe isso vai: uma diretora de escola de educação infantil no interior de São Paulo contou-me que, no Dia dos Namorados, vários ramalhetes de flores enviados pelos pais às filhas chegaram à escola. O problema está nas contradições que esse amor declarado tem apresentado.

Os pais que adoram tanto seus filhos contratam babás para ficar com eles diuturnamente, inclusive domingos e feriados. Vemos pais cujos filhos estão segurando nas mãos da babá ou no colo desta nos shoppings, nos cabeleireiros, nos consultórios, em hotéis, restaurantes etc. E ter babá dá muito trabalho! É seleção, busca de referências, treinamento e depois, se surgirem desconfianças, instalação de câmeras etc.

Mães e pais que dizem amar seus filhos sem medida fazem com que novos negócios prosperem em tempos de recessão.Os pais vão a um casamento com os filhos? Não há problema. Os noivos contratam empresas de recreação que ficam o tempo todo com as crianças, para que os pais "curtam a festa sem restrições". Nas férias, os hotéis precisam ter uma equipe de monitores que, além de entreter as crianças, também almoça e janta com elas.

Por falar em férias, acampamentos para crianças rendem no período. Até pouco tempo atrás, eles recebiam só adolescentes. A demanda dos pais fez com que proliferassem locais que recebem crianças pequenas: os pais já podem mandar seus filhos a partir dos quatro anos (!) para uma temporada fora, com direito a "espiar" pela internet como eles se divertem!

Quando o filho faz aniversário e os pais querem demonstrar todo seu amor dando uma megafesta, sem problemas: contratam um bufê que cuida de tudo. E a escola, para ajudar, recebe autorizações de saída e organiza os convidados para colocá-los no ônibus que os leva da escola para o evento.

A falta de tempo dos pais tem sido usada para explicar tantas buscas de recursos. Mas esse estilo tem muito mais a ver com a nossa cultura. Amor demais sufoca e idealiza. Pode ser por isso que os pais apresentem tanta contradição: amam tanto a idéia de ter o filho que precisam ficar longe dele para, talvez, não perderem o filho que imaginam ou gostariam de ter.

Escrito por Rosely Sayão

terça-feira, 24 de março de 2009

Serenidade é preciso

AP/Sky News

Hanna Jones tem leucemia desde pequena e os efeitos colaterais de seu tratamento comprometeram seu coração. A proposta médica foi a de fazer um transplante do órgão, única possibilidade de ela continuar a viver. Mesmo assim, Hannah recusou.

É que as chances de sucesso da cirurgia não são garantidas e complicações ainda maiores poderiam surgir. Hannah disse que está cansada de sofrer e que quer passar seu final de vida em casa, com a família. Quer viver – e morrer – com dignidade.

Hanna tem 13 anos e o apoio dos pais em sua decisão. A serenidade do semblante da mãe, registrada na foto, me deixou impressionada.

Pensei em tantas mães que conheço e que se desesperam quando o filho sofre ao enfrentar as pequenas adversidades próprias da vida na infância e na adolescência.

Frustrações, contrariedades, conflitos, dificuldades com deveres e responsabilidades escolares, com relacionamentos com colegas e amigos, com parentes; expectativas não atendidas, vontades que não se realizam, mudanças que causam angústia e receio. Tudo isso provoca sofrimento em crianças e jovens, é claro, mas a melhor maneira de os pais ajudarem talvez seja justamente não sofrer com eles.

Para dar o apoio necessário aos filhos nos momentos difíceis que eles enfrentam, é preciso muita tranqüilidade. Mesmo com o coração apertado, os pais precisam oferecer a segurança que o filho precisa para descobrir e usar os recursos que tem para travar suas batalhas.

É assim que crianças e jovens constroem uma imagem positiva de si: sabendo, primeiramente, que seus pais confiam em seu potencial; depois, percebendo que são capazes, sim, de viver sem excessiva proteção; finalmente, quando descobrem o sabor de suas conquistas e a capacidade que têm de superação dos fracassos.

Só com tranqüilidade os pais conseguem encorajar o filho a encarar frente a frente sua vida, seus problemas, seus sofrimentos. Para ajudar, vale a pena lembrar: crescer e amadurecer dói mesmo, fazer o quê?

Escrito por Rosely Sayão

segunda-feira, 23 de março de 2009

Educar X Proteger

Sábado quase sempre é meu dia de dedicação exclusiva ao trabalho não remunerado: o da administração da casa. Vou à feira, faço supermercado, coloco ordem na casa. Mesmo em meio a tanta estimulação e obrigação ainda presto atenção nas pessoas com quem cruzo e observo o que dizem e o que fazem, com quem estão. Sou voyeur da vida pública, diz um amigo. É desse modo que encontro bons motivos para escrever alguns de meus textos e expor minhas análises, como esta, por exemplo. Não demorou muito para, no supermercado, eu perceber caminhando quase a meu lado a mãe e sua filha de seis anos, mais ou menos. Elas passeavam, compravam, trocavam idéias. O que chamou minha atenção logo de início foi a tranqüilidade das duas em seu relacionamento. Elas estavam, realmente, juntas e, talvez, sair para fazer compras tenha sido apenas pretexto para o passeio delas já que mais olhavam e conversavam do que colocavam coisas no carrinho. Em dado momento, a garota pegou algo da prateleira para apreciar de perto. Assim que devolveu o objeto olhou para a mãe e, com cara de choro, reclamou que havia sujado as mãos. A mãe, calma, tirou da bolsa um lenço úmido, limpou as mãos da filha e continuou, tranqüila, o trajeto. Assim que a filha fez menção de pegar outra coisa, a mãe adiantou-se e pegou para ela dizendo que, desse modo, ela não sujaria mais as mãos. Considerei essa cena emblemática de como temos tentado proteger os nossos filhos das “sujeiras” desse nosso mundo e de como fazemos todos os esforços para que eles não sofram, não tropecem nem caiam, não se deparem com suas dificuldades. Temos protegido nossa prole de forma exagerada, impedindo, assim, que vejam a vida como ela é. Se gostamos tanto do slogan que diz que educar é preparar para a vida, que raios de vida é essa que achamos que eles irão viver?
Escrito por Rosely Sayão

domingo, 22 de março de 2009

Sobre as influências da televisão

Autor: FERNANDO SAVATER

“A revolução que a televisão causa na família, principalmente por sua influência sobre as crianças, nada tem a ver, segundo o sociólogo americano Neil Postman, com a sabida perversidade de seus conteúdos, mas provém de sua eficácia como instrumento de comunicação de conhecimentos. O problema não reside no fato de a televisão não educar suficientemente, mas no fato de educar demais e com força irresistível; o mau não é a televisão transmitir falsas mitologias e outros embustes, mas é ela desmistificar vigorosamente e dissipar sem contemplações as névoas cautelares da ignorância que costumam envolver as crianças para que continuem sendo crianças.

Durante séculos, a infância manteve-se num limbo à parte do qual as crianças só iam saindo gradualmente, de acordo com a vontade pedagógica dos adultos. As duas principais fontes de informação eram, por um lado, os livros, que exigiam um longo aprendizado para serem decifrados e compreendidos, e, por outro, as lições orais de pais e professores, sabiamente dosadas. Os modelos de comportamento e de interpretação do mundo que se ofereciam à criança não podiam ser escolhidos voluntariamente nem rejeitados, porque careciam de alternativa. Só depois de chegarem a uma certa maturidade e de se curar da infância os neófitos iam se inteirando de que havia mais coisas no céu e na terra do que até então lhes tinha sido permitido conhecer. Quando a informação revelava as alternativas possíveis aos dogmas familiares, dando lugar às angustiantes incertezas da escolha, a pessoa estava suficientemente formada para suportar melhor ou pior a perplexidade.

Mas a televisão acabou com esse desvendamento progressivo das realidades ferozes e intensas da vida humana. As verdades da carne (o sexo, a procriação, as doenças, a morte...) e as verdades da força (a violência, a guerra, o dinheiro, a ambição e a incompetência dos príncipes desse mundo...) antes eram escondidas dos olhares infantis, cobertas com um véu de recato ou vergonha que só se levantava pouco a pouco. A identidade infantil ( a mal denominada “inocência” das crianças) consistia em ignorar essas coisas ou em lidar apenas com fábulas a respeito delas, aos passo que os adultos caracterizavam-se justamente por possuir e administrar tantos segredos. A criança crescia numa obscuridade aconchegante, levemente intrigada por esses temas sobre os quais ainda não lhes davam respostas completas, admirando com inveja a sabedoria dos adultos e desejosa de crescer para ser digna de compartilhá-la.

Mas a televisão rompe esses tabus e, de maneira generosamente desordenada, conta tudo: deixa todos os mistérios com a bunda de fora e, na maioria das vezes, da forma mais literal possível. As crianças vêem na tela cenas de sexo e matanças bélicas, é claro, mas também assistem a agonias em hospitais, ficam sabendo que os políticos mentem e roubam ou que outras pessoas zombam daquilo que seus pais dizem que deve ser venerado. Além disso, para ver televisão não é preciso nenhum aprendizado especializado: acabou-se a trabalhosa barreira que a alfabetização impunha aos conteúdos dos livros. Com algumas sessões diárias de televisão, até mesmo assistindo aos programas menos agressivos e aos comerciais, a criança fica por dentro de tudo o que antes os adultos lhe escondiam, enquanto os próprios adultos vão se infantilizando também diante da “tevê”, na medida em que se torna supérflua a preparação por meio de estudos, antes imprescindível para se conseguirem informações.

A televisão fornece meios de vida, exemplos e contra-exemplos, viola todos os recatos e promove entre as crianças a urgência de escolher que está inscrita na abundância de notícias frequentemente contraditórias. E há mais: a televisão não só opera dentro da família como também emprega os instrumentos de persuasão cálidos e acríticos da educação familiar. ...

Não há nada tão subversivo educacionalmente falando quanto uma televisão: longe de submergir as crianças na ignorância, como acreditam os ingênuos, ela as faz aprender tudo desde o início, sem respeito pelos trâmites pedagógicos. Ah, se pelo menos os pais estivessem junto delas para acompanhá-las e comentar esse impudico bombardeio de informações que tanto acelera sua instrução! No entanto, é próprio da televisão funcionar quando os pais não estão e, muitas vezes, para distrair os filhos do fato de os pais não estarem... ao passo que em outras ocasiões eles estão, mas tão mudos e enlevados diante da tela quanto as próprias crianças.”

(FERNANDO SAVATER, O Valor de Educar)

sábado, 21 de março de 2009

Agora chega!

Outro dia fui ao supermercado e levei um susto: um corredor inteiro forrado de chocolate por todos os lados. Eu me senti andando em um verdadeiro “corredor polonês”, ameaçada por ovos de páscoa que estavam lá com o objetivo claro de impelir quem estava abastecendo a casa a escolher e a comprar pelo menos um tipo de chocolate. Com tanto apelo ao consumo, os pais não resistem. Na páscoa, crianças e adolescentes ganham muito, mas muito chocolate. Há ovo que pesa até 5 kg! Se há oferta, é porque há comprador, não é verdade? E em meio a tanto chocolate, é bom lembrar que uma das funções dos pais é ajudar o filho a estabelecer um limite de saciedade já que, se depender só deles, esse limite pode ser alargado até provocar mal-estar. Eu adoro colecionar ditados populares e um deles diz que criança é um “saco sem fundo”, lembram-se disso? Pois são mesmo. Quando começam a comer algo que gostam, não sabem a hora de parar. E esse tipo de comportamento deles não se restringe ao comer: refere-se a quase tudo da vida deles. Não sabem identificar a hora de parar de brincar, de ficar na internet, de conversar ao telefone etc. Por isso, uma das funções importantes dos pais é dizer aos filhos “agora chega”. Se pensarmos bem, o “agora chega” dos pais começa logo que o filho nasce e precisa persistir até o final da adolescência. Só muda mesmo é o objeto do basta. Desde o mamar até o namorar, são os pais que precisam sinalizar ao filho a hora de interromper uma atividade. É assim que eles podem aprender a controlar a vontade que têm e não serem controlados por elas, é assim que exercitam a paciência para esperar, é assim que conseguem dirigir seu olhar para outros interesses. Mas, é bom lembrar que o “agora chega” dos pais precisa ser responsável. De nada adianta dizer ao filho “agora chega de comer chocolate” e deixar a tentação ao seu alcance.
Escrito por Rosely Sayão