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sábado, 29 de maio de 2010

Mente que nem sente!



Assim como a Verdade é o Filho de Deus, a Mentira é a filha do Diabo (Jo.8:44), e como tal, é a cara do pai.

É mais fácil conviver com pessoas que tenham qualquer outra deficiência de caráter do que conviver com o mentiroso. Ninguém é mais perigoso que ele. E o pior que aos poucos ele vai se aprimorando na arte de mentir, até tornar-se num mentiroso compulsivo e contumaz, capaz de enganar a si mesmo e a todos ao seu redor.

Quando exposto à luz, fica logo nervoso, perde a linha, porque não suporta a verdade. Quer tirá-lo da linha, chame-o de mentiroso. Está mais preocupado com a sua imagem, a fim de manter a credibilidade e continuar enganando.

Nem todos os mentirosos mentem descaradamente. Alguns são mais sofisticados, e preferem usar meias-verdades, ou dissimulações. Sempre que usam tais artifícios, é para salvaguardar sua imagem ou levar alguma vantagem.

Todo mentiroso tem seus cúmplices. E o que ele não percebe é que eles são os primeiros a questionarem sua integridade quando suas mentiras lhes atingirem de alguma maneira. Por exemplo: o pai que mente a idade do filho para pagar meia-entrada no cinema. O dia que resolver menti para o filho, este será o primeiro a contestá-lo. Se sua esposa lhe ajuda a mentir, ela será a primeira não acreditar em você.

Mas há os que mentem juntos até a morte. Vivem um casamento de mentira, um ministério de mentirinha, um embuste. O livro de Atos dos Apóstolos nos revela a história de um casal de mentirosos, Ananias e Safira. Um dava cobertura ao outro. Infelizmente, não se arrependeram de seu engodo e acabaram fulminados.

A vida do mentiroso não é fácil, pois cada mentira equivale a um remendo numa roupa velha. Quando o rasgo é exposto, tem que fazer um remendo maior para cobrir o anterior. E assim, ele vai vivendo, de mentira em mentira, até o dia do grande rombo, quando tudo vem à tona.

Deus detesta tais expedientes. Entre as coisas abomináveis aos Seus olhos está a “língua mentirosa”, juntamente com “o que semeia contendas entre irmãos” (Pv.6:17-19). Por isso se diz que o que usa de engano não ficará em Sua casa (Sl.101:7).


O mentiroso não consegue manter amizades por muito tempo. Seus amigos são sempre substituídos por novos, porque os relacionamentos sofrem desgastes por causa de suas mentiras. Mesmo familiares preferem manter certa distância. Não suportam vê-lo se gabar daquilo que não possui.

Sem dúvida, o maior mentiroso é aquele que consegue enganar a si mesmo. Paulo nos garante que “os homens maus e enganadores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados” (2 Tm.3:13). Suas mentiras lhe soam como verdades. É o mentiroso sincero, mas não inocente aos olhos de Deus. Paulo admoesta: “Ninguém se engane a si mesmo” (1 Co.3:18). Tal exortação é um eco das encontradas ao longo das Escrituras, como a que denuncia àqueles que “se deixaram enganar por suas próprias mentiras” (Amós 2:4). Para chegar a este ponto, a pessoa teve que passar por treinamento intenso, enganando a outros. Enganar a si mesmo é a última fronteira atravessada pelo mentiroso. Uma espécie de pós-graduação em mentirologia.

Mas como tudo o que semeamos, um dia colhemos, chega a um ponto em que o mentiroso é vítima de sua própria astúcia. Um dia ele acaba se entregando sem querer. É só prestar bastante atenção em seu discurso, para perceber sua incoerência.

Não se deixe conduzir por quem usa de engano. Você cairá no mesmo abismo que ele. “Oh! povo meu! os que te guiam te enganam, e destroem o caminho das tuas veredas” (Is.3:12b).

Se você ama a um mentiroso, trate de confrontá-lo para que se arrependa e não minta mais. Não tape o sol com a peneira. Não tente fingir que acredita em suas dissoluções. Enfrente-o! Seja ele seu cônjuge, seu filho, seu pastor, seu amigo, seu chefe.

Cuidado! Um dia você poderá ser vítima de sua peçonha. Se ele não poupou alguém que dizia amar, não poupará você quando se vir ameaçado.

Cuidado com o que você diz perto dele. Tudo poderá ser usado contra você de maneira distorcida. Afinal de contas, ele sabe jogar com as palavras, sabe dissimular, transformar verdades em mentiras e vice-versa. O que foi dito em forma de brincadeira, será contado como se fosse dito de maneira séria. Comentários em off, serão lançados contra o ventilador para tentar sujar sua reputação. O que ele quer é que você fique mal na fita, enquanto sua própria imagem seja realçado, como se fosse um herói. Até palavras que ele mesmo disse, serão atribuídas a você… Portanto, cuidado! Peça que Deus ponha um guarda à porta de sua boca (Sl.141:3). Lembre-se que “o hipócrita com a boca danifica o seu próximo” (Pv.11:9).

Alguns perderam totalmente o temor de Deus, sendo capazes até de jurar por Ele, para dar peso às suas mentiras (Sl.24:4). Sua consciência está cauterizada. Por isso se diz que tais pessoas “mentem que nem sentem”. Em vez de mentiras localizadas, suas vidas foram tomadas de mentiras generalizadas, como um câncer que se nega a retroceder.

E antes de difundir algo, procure ouvir as partes envolvidas para que você não corra o risco de ser injusto e cúmplice de uma mentira. Adotar a mentira dos outros é como adotar um filho do diabo, pois afinal, ele é o pai da mentira.


domingo, 28 de fevereiro de 2010

“Brincar é condição fundamental para ser sério” - Arquimedes

no
Querer ser pai e mãe tem que ser um desejo genuíno, não dá para tomar essa decisão baseado na opinião de parentes ou amigos.
Criança é um ser em crescimento, é maravilhoso vê-la se desenvolver, mas dá trabalho sim, e como! A dedicação tem que ser intensa, principalmente nos primeiros anos de vida. Depois essa dedicação continua e se transforma em preocupação com o desempenho escolar, talvez desespero na adolescência, alegria ou tristeza no vestibular e assim por toda a vida. Somos fãs de nossos filhos e por isso mesmo, nos alegramos em vários momentos e sofremos em tantos outros.
Mas como criá-los bem? Eles nascem sem bula e sem manual de instrução. Com criança pequena é preciso estar disponível, não só em termos de tempo, mas disponível internamente, pois elas demandam informação e orientação constantes! Perguntam o tempo todo, são curiosas, cheias de energia e ainda sem noção do perigo. É mandatário que pai e mãe tenham uma linha parecida de educação de seus filhos para não haver dupla ordem, ou seja, a mãe deixa e o pai proíbe, a mãe aceita e o pai discorda.
É preciso dar limites e, por mais angustiante que seja, tem que saber dizer não! O limite traz segurança para a criança e delimita um pouco esse mundo imenso em que ela vive. O não dos pais também é importante, embora seja difícil sustentá-lo e agüentar os berros e a choradeira, mas isso mostra à criança que os pais sabem o que é melhor para ela e, conseqüentemente, irão protegê-la de supostos perigos.
A criança faz parte da família, mas não deve ser a dona da casa. Vejo famílias que modificam todos os hábitos de vida em função do que a criança quer. Não é assim que educamos bem! Há programas em que a criança participa e há outros que devem ser feitos somente pelo casal, já que esse casal ainda existe como homem e mulher e precisam ter um pequeno espaço, que seja.
Outro problema que constato é o número de atividades que crianças de 5 ou 6 anos já possuem. Muitos chegam a ter atividades extracurriculares diárias: ballet, natação, inglês, espanhol, música. Tentem dosar essas atividades para sobrar tempo para o contato com a família. Além disso, deixem tempo livre para essa criança brincar, criar, imaginar! Isso é condição fundamental para um bom desenvolvimento emocional, cognitivo e comportamental.


Escrito por Dra. Luciana Campaner 22-Dez-2008

Luciana Campaner é psicóloga clínica e Mestre em Neurociências pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP).


terça-feira, 25 de agosto de 2009

Dedicação integral ou carreira profissional?

As alegrias e as preocupações de mães que optaram por uma ou por outra solução

Sofia Cerqueira e Melissa Jannuzzi

Ricardo Fasanello/Strana
Fernanda Venturini jogadora de vôlei Para voltar às quadras, Fernanda fez um contrato especial com o BCN de Osasco, especificando que poderia levar a filha, Júlia, 1 ano e 4 meses, para todas as concentrações e jogos. A menina se hospeda com a babá no mesmo hotel em que fica o time. Presença freqüente nos estádios, Júlia já virou a mascote das jogadoras.
Não existe regra. Algumas mulheres conseguem manter o mesmo ritmo de antes, outras vivem buscando o tão sonhado equilíbrio e há ainda aquelas que optam por abrir mão de tudo. O sonho e a realização da maternidade vêm sempre acompanhados de um grande dilema: como se dedicar aos filhos e, ao mesmo tempo, crescer profissionalmente? A resposta não é uma simples questão de certo ou errado. Cada mãe encontra a própria fórmula. "Acho que filho vem para somar. Ficaria muito infeliz se deixasse a minha profissão", diz a atriz Claudia Raia, 36 anos, que trabalhou até duas semanas antes de a pequena Sophia nascer e voltou às gravações dois meses e meio depois. "Acho que ser mãe é ter enorme vontade de acertar. O que é bom para mim pode não ser para outra mulher", comenta a advogada Olga Antunes Maciel, 30 anos, que largou a promissora carreira no mercado financeiro para cuidar de Laura, 1 ano e 2 meses. "No meu contrato exigi que minha filha estivesse sempre comigo. Ela me acompanhou em todos os jogos e virou a mascote do time", diz a jogadora de vôlei Fernanda Venturini, 32 anos, mãe de Júlia, 1 ano e 4 meses, que acabou de ser campeã da Liga Nacional pelo BCN de Osasco. Não tem jeito. As escolhas, por mais diferentes que sejam, são sempre acompanhadas de momentos de incerteza. "É importante a mãe ser uma mulher realizada, independentemente de trabalhar ou não", avalia a psicanalista Márcia Rodrigues Ganime, da Sociedade Brasileira de Psicanálise no Rio. Pelo menos no próximo domingo, Dia das Mães, todas vão ter um motivo especial para estar em casa. Ricardo Fasanello/Strana Claudia Raia atriz Claudia estabeleceu condições para voltar ao trabalho apenas dois meses e meio depois de dar à luz Sophia: só gravaria duas horas por dia. Com o filho mais velho, Enzo, 6 anos, o retorno foi depois de um ano e dois meses. Nos intervalos das cenas, fugia para encontrá-lo mesmo que por pouco tempo. Claudia Martins/Strana Olga Antunes Maciel dona-de-casa (ex-executiva do mercado financeiro) Com a carreira em ascensão, Olga tomou uma decisão radical: largou tudo três semanas depois do fim da licença-maternidade. Ela só pensava em voltar para casa. Sua agenda agora inclui apenas cuidar de Laura, 1 ano e 2 meses, e do planejamento doméstico. "Diria que hoje sou uma profissional muito realizada." Nem que seja por pouco tempo. Daniela Maluf, 32 anos, executiva do Banco Opportunity, vive numa eterna correria. Diariamente ela passa onze horas longe das filhas Carolina, 9 anos, e Giovana, 6. "Elas sabem que são o que tenho de mais importante. Se temos uma boa vida, é porque trabalho muito", diz. O dia da executiva começa às 5h20, quando malha por uma hora. "É o único horário só para mim." Para coordenar crianças, babá, empregada e motorista, Daniela lança mão de bilhetes pela casa. "Isso dá segurança a todos. Ainda assim ligo cinco vezes por dia", admite. Para compensar o esforço de todos e, é claro, sua ausência, sempre que recebe um bônus do banco, presenteia as filhas e os empregados. Como Daniela, a publicitária Teresa Cicupira, 44 anos, sabe muito bem o que é viver com a agenda lotada e o tempo contado. Não agüentou. "Eu não soube dosar", diz ela, que, como muitas mulheres bem-sucedidas, ao dar à luz os gêmeos Maria Helena e Carlos, hoje com 8 anos, não alterou sua carga de trabalho. Quando as crianças estavam prestes a completar 4 anos, tomou uma decisão radical: largou o cobiçado posto de diretora da conta da De Beers, a maior mineradora de diamantes do mundo, na agência J.W. Thompson. "Quando via uma mulher parar de trabalhar, achava que ela ia ficar fora do mundo, só falando de babá e do feijão que queimou", lembra Teresa. Seu expediente era de doze horas por dia e ela fazia seis viagens internacionais por ano. Numa dessas ausências por causa do trabalho, veio o estalo: "Meus filhos estão crescendo, e um dia vou deparar com adultos que não conheço". A publicitária virou mãe em tempo integral. Bruno Veiga/Strana pediatra A médica encontrou sua fórmula de conciliar carreira e maternidade: reduziu os plantões a dois por semana. No resto do tempo, cuida de Luísa, 5 anos, e de Fernanda, 5 meses. Tem a ajuda do marido, que já passou por alguns sufocos. "Ele chegou até a botar uma roupa minha quando Luísa era bebê para ver se ela se acalmava com o cheiro." A questão do tempo, de fato, é o problema que mais atormenta as mães. Difícil encontrar alguma que não se assombre com o pesadelo de que seus filhos se transformem em adultos egoístas e inseguros por falta de dedicação materna. "Quanto mais horas a mãe puder ficar com o filho, melhor. Se o tempo é curto, o importante é a qualidade", diz a psicanalista Márcia Ganime. "O tempo tem de ser só para a criança. Não adianta dividir a atenção com os afazeres da casa", completa. Estreante no papel de mãe, a atriz Maria Ribeiro, 27 anos, faz planos para não desgrudar do rebento quando voltar ao batente – começa a ensaiar uma peça em agosto. "Criança feliz é junto da mãe. Prefiro ele mal-ajambrado num camarim a ser criado por outra pessoa", diz Maria, casada com o ator Paulo Betti e mãe de João, de 1 mês. A atriz, porém, nem pensa em abrir mão da carreira. "Vou ser uma mãe melhor se não deixar de fazer as coisas de que gosto", comenta ela. Claudia Raia, mãe de Enzo, 6 anos, e de Sophia, 3 meses, também acredita que é possível conciliar as funções de mãe e de profissional. Desde que o filho era bem pequeno, sempre dava a mesma explicação ao sair de casa: Mamãe vai trabalhar, mas volta. "Estou muito feliz por exercer a profissão que amo", confessa Claudia. Sophia, no entanto, conheceu ainda mais cedo a rotina da mãe. Claudia soube que estava grávida quando ia começar a gravar a novela O Beijo do Vampiro e o autor, Antônio Calmon, adaptou a história da vampira infértil ao estado interessante da atriz. De volta aos estúdios, com a filha recém-nascida em casa, não escapou dos sufocos. "Só gravava duas horas por dia. Mesmo assim, uma vez peguei um engarrafamento e o Edson (Celulari) teve de levar a Sophia, que chorava sem parar, até o meio do caminho para ser amamentada." Bruno Veiga/Strana Teresa Cicupira dona-de-casa (ex-publicitária) Ela foi até o limite: depois de ter os gêmeos Maria Helena e Carlos, hoje com 8 anos, manteve o ritmo de doze horas de trabalho por dia durante quatro anos. Os filhos ficavam com babás enquanto ela fazia até seis viagens internacionais por ano. Optou por largar a publicidade para acompanhar o crescimento das crianças. Cláudia Martins/Strana Maria Ribeiro atriz Novata no papel de mãe, Maria, que há um mês teve João, pretende voltar ao trabalho em agosto. Ela acredita que criança feliz é criança ao lado da mãe. Mas nem por isso pensa em se afastar dos palcos ou dos estúdios. "A vida toda vi outros artistas carregando os filhos para as coxias. Pretendo fazer o mesmo com meu filho." Improvisos fazem parte da rotina das mães que vivem divididas entre os cuidados com a família e a dedicação profissional. Júlia, 1 ano e 4 meses, filha de Fernanda Venturini e do técnico Bernardinho, já tem mais horas de vôo do que muito adulto. "Em todas as concentrações, ficava num quarto com a jogadora Virna e Júlia dividia outro em frente com a babá. Foi a condição que impus para voltar a jogar", conta Fernanda, que mora no Rio e nos últimos meses, quando defendia o BCN de Osasco, se mudou para São Paulo. Por causa da agenda de jogos da mãe, Júlia não segue a rotina rígida dos bebês de sua idade. "Você tem de montar uma estrutura de acordo com sua vida. De que adianta ela dormir às 7 da noite se não vê a mãe? Ela assiste a todos os meus jogos nos estádios", orgulha-se. A menina virou o xodó das outras atletas. "Ela tem de se acostumar com o barulho e o ritmo de vida dos pais." Fernanda, que chegou a se despedir das quadras ao engravidar, voltou atrás seduzida pelo desafio de mais um título. "Só entrei em deprê quando o Bernardo ganhou o Mundial de Vôlei e eu não estava ao lado dele. Eu me sentiria frustrada se não voltasse a jogar", afirma. Para não correr o risco de ficar dividida, a ex-executiva do Bank of America Olga Antunes Maciel, 30 anos, decidiu deixar para trás as aspirações profissionais. Largou a rotina de onze horas de trabalho diário três semanas depois de voltar da licença-maternidade. "Senti que não pertencia mais àquele lugar. As horas se arrastavam, e minha cabeça estava em casa." Olga, mãe da bochechuda Laura, 1 ano e 2 meses, está completamente realizada numa rotina de sopinhas, fraldas, pracinha e supermercado. "Quando me perguntam sobre a vida profissional, digo que hoje, sim, sou muito realizada, mas como mãe", declara. Fotos Ricardo Fasanello/Strana executiva do Banco Opportunity A correria de Daniela começa às 5h20, quando acorda para malhar. Ela passa onze horas longe das filhas, Carolina, 9 anos, e Giovanna, 6, e administra a rotina doméstica com bilhetes e telefonemas. "As meninas não reclamam porque sabem que não há opção. Sou muito feliz, e elas sabem que são o que existe de mais importante para mim", diz. Pôr um freio na carreira e dedicar mais tempo à criação dos filhos é uma decisão difícil. Nem começá-la, então, mais ainda. "As pessoas se surpreendem quando descobrem que nunca trabalhei e que optei por isso para cuidar dos filhos", diz Andréa Marinho, 27 anos, mãe de Tiago, 5, e de Felipe, 1. Casada com um consultor de informática, ela dedica as 24 horas do dia às crianças. "Quando vejo alguma mãe executiva nas reuniões de escola, não sinto um pingo de inveja. Gosto da minha vida assim, estou realizada", afirma. E enumera as vantagens: "Escutei a primeira palavra, vi o primeiro passo, o primeiro dente nascer..." Como em qualquer opção, a vida de mãe em tempo integral tem seus prós e contras. "Se trabalhasse, sobraria mais dinheiro para viagens e diversão", diz. A pediatra Flávia Bordallo, 36 anos, não cogitou a hipótese de parar de trabalhar depois de ser mãe, mas reduziu drasticamente sua carga horária. Até o nascimento de Luísa, 5 anos, trabalhava sessenta horas semanais. "Encontrei o meio-termo. Trabalho em minha área, mas não faço mais tantos plantões", conta Flávia, que tem ainda a pequena Fernanda, 5 meses, e duas vezes por semana dá plantão de doze horas na UTI neonatal da Clínica Perinatal. Mesmo assim, precisa da ajuda do marido, o advogado Marcelo Freire. "Meu marido pegou o jeito com criança no tranco. Hoje troca fralda, dá banho, mamadeira...", conta a médica, lembrando-se do sufoco que Marcelo passou logo que ela voltou aos plantões noturnos após o primeiro parto. "Ele ficou tão desesperado com o choro da Luísa que vestiu uma roupa minha para ver se ela sentia o cheiro e se acalmava", recorda, bem-humorada.

Patrícia Vasconcellos executiva da Shell Os dias de semana são para o trabalho. Os fins de semana, para os filhos. Patrícia conciliou o crescimento profissional com a educação de Bruno (à esq.), 20 anos, Rafael, 19, e Lucas (à dir.), 17. Os meninos sempre estudaram em período integral. "Não me sinto culpada. Apesar do pouco tempo, sou uma mãezona."

A opção de se dedicar exclusivamente aos filhos, de administrar a vida profissional e a educação da prole ou de não alterar em nada o ritmo de trabalho, no entanto, não impede que as mães vivam angústias e expectativas semelhantes. "Apesar de ficar muito tempo fora, eu me considero uma mãezona", diz Patrícia Vasconcellos, 50 anos, diretora de vendas para grandes clientes da Shell. "Quando um filho a impede de fazer o que gosta, você corre o risco de virar uma chata e um dia acabar cobrando", acredita Claudia Raia. A executiva da Shell fez desse pensamento sua cartilha. Teve os filhos Bruno, 20 anos, Rafael, 19, e Lucas, 17, no espaço de três anos. Nem por isso diminuiu o ritmo ou deixou de investir na carreira. Os filhos sempre estudaram em período integral e seus fins de semana eram 200% dedicados a eles. É claro que, na correria do dia-a-dia de uma executiva-mãe, não faltaram situações atípicas. "Por falta de tempo, eles colecionaram vários vales-presente em aniversários e Natais", lembra. "Mas ela sempre estava presente nos momentos importantes", afaga o filho Bruno. Não existe mesmo fórmula. Mãe é sempre mãe.

Andréa Marinho dona-de-casa Mãe à moda antiga, Andréa nunca trabalhou fora e se dedica 24 horas aos filhos Tiago, 5 anos, e Felipe, 1, e à casa. Sua opção surpreende as pessoas. "Não sinto um pingo de inveja de quem trabalha", diz. Por causa da escolha, o orçamento da família fica prejudicado. "Não mudaria nada. Eu me sinto feliz assim." VEJA - RIO Esta reportagem é bem antiga... 7 de Maio de 2003

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Micos da decoração Pode usar? Depende.

Pinguim de geladeira é brega? E flor artificial, sanca, textura e anão de jardim? Na etiqueta da arquitetura, da decoração e do paisagismo, o certo e o errado estão intimamente ligados. Dúvidas de internautas sobre esses e outros mitos foram enviadas ao site de Casa e Jardim e esclarecidas por especialistas, que afirmam: nada é tão radical a ponto de garantir o veto ou o passe livre. PINGUIM Drama e humor na geladeira Qual é a sua reação ao se deparar com um pinguim de louça em cima da geladeira? Arrepio, gargalhada ou simpatia? Seja qual for o resultado, ele é mais legítimo e legal do que o DNA cafona que a ave carrega. 'Acredito que o mito não seja o pinguim e sim falar que algo é brega', diz Marcelo Rosenbaum. Para o designer, tudo pode e depende da história de cada um. Não existe o proibido. 'Acredito que a relação das pessoas com os objetos é algo íntimo e pessoal.' Cada um tem o direito de colocar o que quiser e onde quiser, desde que aquilo corresponda à sua essência. Isso vale para o pinguim de qualquer cor e material ou outra peça. Segundo ele, tirar objetos de seu contexto pode ser interessante. 'Nada precisa estar onde foi dito para ficar. O que conta é a interpretação de cada um.' Ao lado, pinguins da Rachel Hoshino à venda na 62º.
FOTO DE FAMÍLIA Invista numa galeria particular Ninguém duvida que as fotos da família esquiando nas últimas férias ficaram bárbaras. As do casamento, então, são emocionantes. Imagens são recordações mais do que especiais, mas não precisamos colocá-las em vários porta-retratos dando boas-vindas a todos que entram na sala. 'Essas imagens são íntimas e é estranho se deparar com elas espalhadas em mesas e estantes. Pertencem à família', comenta o arquiteto Sig Bergamin. Que tal substituir os porta-retatos por molduras - de várias cores, formas e tamanhos - e aproveitar um corredor da casa para fazer sua própria galeria? Por exemplo, naquela parede branca que não tem espaço suficiente para uma obra de arte. Lá, é possível brincar com a imaginação e colocar todas as fotografias, inclusive dos animais de estimação. Segundo Sig, porta-retratos com fotos de família devem ser usados em número reduzido e na área íntima. Ao lado, molduras da Differenza. --------------------------------------- fonte: revista Casa & jardim

quarta-feira, 13 de maio de 2009

De olho no bico

Fulano: - Ah! Ontem eu fui num casamento muito legal! Rolou o maior festão lá! Sicrano: - O casamento era de algum parente seu? Fulano: - Não. Eu entrei de penetra mesmo!!!! Olha o bicão aí gente! O diálogo descrito acima apresenta um autêntico bicão. Aquele personagem que todo mundo um dia já teve a oportunidade de conhecer. Os biculinos, como são conhecidos, entram em festas sem ser convidados e ainda por cima saem falando mal dos comes e bebes, alguns fazem de tudo para aparecer nas colunas sociais de jornais ou revistas, dão palpites em tudo, ficam sempre de “orelha em pé” à procura de informações. O dicionário Aurélio define o termo “bicão” como pessoa entrona, penetra. Resumindo, são pessoas cara-duras mesmo. São opostos aos tímidos. Os bicos têm coragem de fazer coisas impressionantes! O bicão é tão famoso que, vasculhando a internet, encontramos o “clube dos bicões”. Dica: procure por bicão... Pode isso? Quem um dia, já não passou pela constrangedora situação de algum bicudo “sem querer” escutar sua conversa e, entrando sem ser convidado, dar palpites errados causando a maior encrenca? É, cuidado porque isso pode acontecer com você. “Vigie para que você não caia” no erro de ser bico nem na própria conversa do bicudo. Mas não se preocupem! Não se sintam envergonhados, pois, vasculhando novamente a internet, veja a pérola que encontrei: Clinton, “BICÃO” Em Casamento Bill Clinton interrompeu uma partida de golfe, que jogava num campo de Harrogate, condado de Yorkshire, na Inglaterra, e entrou de "bicão" numa recepção de casamento, que era realizada no salão de festas do clube Rudding Park. Para surpresa dos noivos - Justin, de 19 anos, e Rebecca, de 30 - o ex-presidente americano surgiu no salão e entrou na fila dos convidados que davam os parabéns aos recém casados. (Fonte: Jornal da Tarde/Estadão - www.jt.estadão.com.br – Quinta-feira, 14 de junho de 2001.) Quem diria! Até o ex-presidente dos EUA já cometeu essa gafe! Brincadeiras à parte, vamos colocar um pouquinho de seriedade nesta matéria. Por insensatez, negligência ou inconveniência, muitas pessoas incorrem no terrível erro de entrar em conversa e assuntos alheios. Às vezes fazem com boa intenção, contudo, precisamos todos ter cuidado para não nos tornarmos desagradáveis às demais pessoas. O livro de Provérbios nos mostra um versículo que se encaixa perfeitamente no que estamos querendo dizer: “Põe raramente o teu pé na CASA do teu próximo, para que não se enfade de ti, e te aborreça.” (Provérbios 25:17.) Sejamos vigilantes, pois a discrição é o melhor “antídoto” para esse tipo de gafe. Separamos alguns tipos curiosos de bicões. Será que você já se encaixou em alguns deles ou conhece alguém assim? Tipos de Bico: Folgado: faz da nossa casa a extensão da sala dele. Disponível: sempre querendo contribuir com opiniões, idéias e sugestões. Alegre: adentra na conversa dos outros sempre contando uma piada. Doce 1: fala baixinho, sussurrando. É cheio de amor pra dar, só não paga a conta. Doce 2: aquele que é entrão, mas não faz barulho. Quando você o vê já está sentado tomando do seu café. E ainda tem a coragem de sugerir que está faltando uma bolacha, uns docinhos... Parabólico: bica de longe, pega todas as ondas (AM, FM e via satélite). Entrão: dá palpite em tudo e acha que contribuiu. Intelectual: aquele que sabe das coisas. Pidão: sempre precisa de alguma coisa. Sonso: vocês querem que eu saia da sala? Enviado: foi o fulano de tal que mandou eu vir aqui. Acidental: estava passando por aqui e não consegui deixar de ouvir a conversa. Discreto: finge que não está ouvindo, mas na verdade escuta toda a conversa. Insistente: ele insiste em bicar. Só fica perguntando: heim? Me conta, o que é que aconteceu? Nervoso: se não deixar bicar, ele fica nervoso e acaba te ameaçando: - Se não me contar, você vai ver...!!! Distraído: aquele que bica sem saber. Por: Ana Paula Costa. anapaulacosta@lagoinha.com Colaboração das amigas: Jussara Costa e a “bicona” (brincadeirinha!) Daniela Martins. Valeu! Texto original: Lagoinha .com

segunda-feira, 11 de maio de 2009

De olhos bem abertos

- Que cara é essa? Dormiu mal? - Pois é, tive uma péssima noite. Virei de um lado para outro, liguei a televisão, tomei um café, tentei ler um livro, arrumei a casa toda, conversei com as paredes e nada. O bendito sono não veio! Queixas como essas não faltam na correria do dia-a-dia e, para elas, o Pai da Psicanálise, tinha uma explicação: “O melhor sonífero é a satisfação.” Mas será que isso resolveria o problema da insônia, que, de acordo com especialistas, atinge 50% da população brasileira? Quem tem ou vive com alguém que sofre de insônia sabe muito bem os malefícios que o corpo e a mente estão sujeitos por causa do problema. Mau humor, estresse, incapacidade para executar as tarefas diárias, fadiga mental e cansaço são os mais freqüentes. Porém, quais são as causas da insônia? Por que tantas pessoas não conseguem dormir bem? A Psicanalista e Psicóloga Clínica, Dr.ª Nadja Lappann Botti, observa que uma das principais causas da falta de sono é a insatisfação. “Como Freud explica, são as insatisfações cotidianas, as sexuais, a profissional, a financeira ou a emocional que podem levar ao comprometimento do sono”. Para a professora aposentada, Maria Efigênia Dias Domingues, 61 anos, os acontecimentos diários trazem realmente grandes insatisfações. Quando fatos desagradáveis acontecem, ela sabe que não terá uma boa noite de sono. Nadja afirma também que, em alguns casos, a insônia é conseqüência de uma tensão emocional, ou seja, um quadro de ansiedade que, para os insones, torna necessário o uso de tranqüilizantes. Anevita Maria de Assis, 49 anos, sofre de insônia e o seu principal problema é a ansiedade. “Levanto a noite toda, tomo chá, abro a janela. Parece que o mundo está caindo sobre mim. Sou muito ansiosa, durmo pensando em algo que tenho de fazer no dia seguinte”. Faxinas Muitas dificuldades de se gozar dos benefícios do sono vêm de tensões e preocupações. Uma pessoa que dorme preocupada com atividades que deve exercer, evidentemente, não terá um sono tranqüilo. Isso acontece com a recepcionista Eliane Cristina Costa, 32 anos. “Tenho insônia porque sou muito preocupada. Se eu tiver que fazer alguma coisa no dia seguinte, ou estiver passando por um problema emocional, isso será fatal para que eu não durma.” Eliane sofre de insônia há 12 anos. Para ela, o problema traz várias mudanças de comportamento, como irritação e uma vontade intensa de chorar. Para os insones, os especialistas recomendam uma diminuição das tensões emocionais ou afetivas, a fim de que ocorra uma reorganização do sono. Todavia, Eliane se queixa. “Os médicos pedem para deixarmos de lado as preocupações na hora de dormir, tomando um banho para relaxar ou um calmante para acabar com a ansiedade. No meu caso, nada disso adianta”. Ela conta que já passou noites fazendo faxinas em casa. “Um fato interessante me aconteceu: levantei-me e dei uma arrumação geral em meu quarto. Mudei os móveis de lugar e limpei tudo, já que não conseguia ter sono”. Mas conviver com a insônia não é uma tarefa fácil. Saber que está na hora de dormir e não ter sono pode virar um tormento. Mas há aqueles que tentam, de uma maneira ou de outra, driblar a situação. A estudante de Jornalismo, Jacqueline Faria, 25 anos, já se habituou aos distúrbios do sono. Para ela, a noite é um ótimo momento para as tarefas universitárias. “As madrugadas insones e silenciosas são o momento ideal para fazer trabalhos da universidade. As idéias ficam mais claras. Criar textos, nesse horário, pelo menos para mim, é uma delícia”, diz. Lindomar Pereira Leite, 25 anos, já não pode dizer o mesmo. Para ele, conviver com a falta de sono é o que Nadja Lappann denomina de “insônia em decorrência de traumatismo físico ou afetivo”, ou seja, aquela ocasionada por uma grande dor, pela experiência de uma cirurgia séria ou mesmo por uma separação. Lindomar faz tratamento contra o câncer no intestino. As dores e sofrimento da doença fazem com que ele tenha insônia. “São dores fortes. Viro para um lado e para o outro, mas não consigo dormir. A quimioterapia e os remédios me fazem acordar várias vezes durante a madrugada”. Dormir bem está ligado a um sono que reorganize física e psicologicamente o ser humano. Por isso, não é correto afirmar que uma pessoa que dorme muito tenha um sono de qualidade. Ela pode estar sofrendo de uma doença chamada narcolepsia, um problema orgânico em que a pessoa tem um sono incontrolável e pode significar, também, uma busca de compensação da qualidade de vida perdida. É necessário que cada indivíduo organize o seu período de sono. Quanto mais profundo for o sono, melhor será a sensação de bem-estar. Para algumas pessoas, quatro ou cinco horas bem dormidas bastam, enquanto que outras não se sentem descansadas se não dormirem oito ou dez horas. Os recém-nascidos, por exemplo, dormem 16 horas por dia. Já os idosos, em geral, necessitam de menos horas de sono. Silêncio A poluição sonora é um fator que piora significativamente a qualidade do sono. Para uma pessoa que dorme no silêncio, o sono é liberdade. Porém, para aqueles que dormem em ambientes barulhentos, o sono é prejudicado, acarretando danos no desempenho físico, mental e psicológico. O doutor e professor titular de Neurofisiologia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Fernando Pimentel de Souza, dedicou-se ao estudo do efeito da poluição sonora para ajudar a entender e aliviar os malefícios sobre o sono e a vigília, que é o período em que a pessoa está acordada ou desperta. Em seu estudo, Fernando Pimentel, diz que a maioria das pessoas dorme de olhos fechados, anulando a percepção visual, que é responsável por mais de 90% das informações recebidas pelo homem. Contudo, a audição, o segundo sentido em quantidade de informação captada, mantém seus canais abertos. “Por isso, há a necessidade de se dormir no silêncio. Caso contrário, o nosso organismo, mesmo dormindo, começa manifestar seu alerta”, afirma. Para aqueles que não conseguem dormir, o tique-taque de um simples despertador pode ser fatal. "O que tira o meu sono é o barulho. Se estou dormindo, até o ruído de um apagador de lâmpadas me acorda”, diz a costureira Laudira Alves Ferreira, 37 anos. Com a digitadora Jacqueline Íris de Oliveira, acontece o mesmo. “Acordo com facilidade durante a noite. Antes das três horas da manhã, não durmo. E quando consigo pegar no sono, qualquer som pode me acordar. Se alguém encostar na maçaneta da porta de meu quarto ou uma lagartixa passar em cima de uma folha de papel, meu sono vai embora”, conta. Segundo Fernando Pimentel, existem três causas para a insônia. Em primeiro lugar, ele cita as causas intrínsecas, que estão ligadas a problemas orgânicos (pesadelos, pernas inquietas, ronco). Em seguida, ele ressalta a importância de se respeitar o próprio ciclo biológico, pois há pessoas que não obedecem a seus biorritmos, perdendo o horário de dormir devido a compromissos sociais e de trabalho. Por fim, ele destaca as intervenções do meio ambiente sobre as pessoas (barulho, calor ou frio, luminosidade excessiva, entre outros). Pimentel explica que são grandes os riscos que a insônia oferece para a saúde: a falta de capacidade intelectual e física é uma delas, o que pode gerar grandes acidentes no trabalho e no trânsito. Sonoterapia Neste terceiro milênio os especialistas afirmam que a tendência é de que os casos de Insônia aumentem. Pimentel enfatiza a questão da poluição sonora, em função da saturação do tráfego de veículos, e também a vida social desorganizada. Para Nadja Lappann, a piora deve-se aos conflitos, tensões e violências do dia-a-dia. “A modernidade exige de nós um papel ativo o tempo todo, nos aspectos profissional, afetivo, econômico e social. É necessário que a pessoa tenha um controle das situações estressantes e conflituosas da existência humana”, observa Nadja. Existem muitas formas de tratamento que auxiliam no bem-estar durante o sono. Dentre eles, a sonoterapia, método que permite obter um sono contínuo, de profundidade variável, durante vários dias. Existem, também, os fatores ambientais, como a temperatura do dormitório, a rigidez do colchão e o nível de barulho. Substâncias excitantes como chá, café e cigarros devem ser evitadas. Atualmente, dispõe-se de um amplo repertório de técnicas de avaliação e tratamento de distúrbios de sono, em especial da insônia. São técnicas de relaxamento, intervenções cognitivas e orientação do estilo de vida. A necessidade do sono é essencial para o ser humano. Ter um bom sono é sinal de se estar bem consigo mesmo. Deve-se dar importância aos momentos de descanso do corpo e da mente para uma completa recuperação física e psicológica. Recomendações para se dormir bem Durante o dia: - Não tire sonecas durante o dia. - Não faça exercícios físicos excessivos diariamente. - Conserve o bom humor. - Evite o estresse. - Use estimulantes moderadamente: café, chá, coca-cola. - Não pense sobre a noite mal dormida e busque solução de problemas. Antes de deitar: “Desacelere” o seu ritmo uma ou duas horas de se deitar e procure relaxar. Vá para a cama sempre no mesmo horário. Cuide que a temperatura da cama seja agradável. Fique no silêncio ou ouça música relaxante e em nível suave. Não se fixe em preocupações ou em conversas difíceis. Não force dormir sem sono. Pense em coisas agradáveis e tranqüilas, evitando emoções fortes. Escolha roupas macias para dormir. Ao deitar-se: - Vá progressivamente se desligando. - Respire profundamente e solte-se. - Escureça o quarto. - Procure a melhor posição para deitar-se. - Pense em descansar e deixar os problemas para amanhã. Extraído da Revista Múltipla - UNI-BH

sábado, 9 de maio de 2009

Ser mãe

Antes de ser mãe eu fazia e comia os alimentos ainda quentes

Eu não tinha roupas manchadas. Eu tinha calmas conversas ao telefone.

Antes de ser mãe eu dormia o quanto eu queria e nunca me preocupava com a hora de ir para a cama. Eu não me esquecia de escovar os cabelos e os dentes.

Antes de ser mãe eu limpava minha casa todo dia. Eu não tropeçava em brinquedos nem pensava em canções de ninar.

Antes de ser mãe eu não me preocupava se minhas plantas eram venenosas ou não. Imunizações e vacinas eram coisas em que eu não pensava.

Antes de ser mãe ninguém vomitou nem fez xixi em mim, nem me beliscou sem nenhum cuidado, com dedinhos de unhas finas.

Antes de ser mãe eu tinha controle sobre a minha mente, meus pensamentos, meu corpo e meus sentimentos. … eu dormia a noite toda …

Antes de ser mãe eu nunca tive que segurar uma criança chorando para que médicos pudessem fazer testes ou aplicar injeções. Eu nunca chorei olhando pequeninos olhos que choravam. Eu nunca fiquei gloriosamente feliz com uma simples risadinha. Eu nunca fiquei sentada horas e horas olhando um bebê dormindo.

Antes de ser mãe eu nunca segurei uma criança só por não querer afastar meu corpo do dela. Eu nunca senti meu coração se despedaçar quando não pude estancar uma dor. Eu nunca imaginei que uma coisinha tão pequenina pudesse mudar tanto a minha vida. Eu nunca imaginei que pudesse amar alguém tanto assim. Eu não sabia que eu adoraria ser mãe.

Antes de ser mãe eu não conhecia a sensação de ter meu coração fora do meu próprio corpo. Eu não conhecia a felicidade de alimentar um bebê faminto. Eu não conhecia esse laço que existe entre a mãe e a sua criança. Eu não imaginava que algo tão pequenino pudesse fazer-me sentir tão importante.

Antes de ser mãe eu nunca me levantei à noite a cada 10 minutos para me certificar de que tudo estava bem.

Nunca pude imaginar o calor, a alegria, o amor, a dor e a satisfação de ser uma mãe.

Eu não sabia que era capaz de ter sentimentos tão fortes.

Por tudo e, apesar de tudo, obrigada, Deus , por eu ser agora um alguém tão frágil e tão forte ao mesmo tempo.

Obrigada Deus por permitir-me ser Mãe!

(Não sei de quem a autoria)

"Sou Mãe"

Uma mulher chamada Anne foi renovar a sua carteira de motorista. Pediram-lhe para informar qual era a sua profissão. Ela hesitou, sem saber bem como se classificar.

“O que eu pergunto é se tem um trabalho”, insistiu o funcionário.

“Claro que tenho um trabalho”, exclamou Anne. “Sou mãe.”

“Nós não consideramos ‘mãe’ um trabalho. ‘Dona de casa’ dá para isso”, disse o funcionário friamente.

Não voltei a lembrar-me desta história até o dia em que me encontrei em situação idêntica. A pessoa que me atendeu era obviamente uma funcionária de carreira, segura, eficiente, dona de um título sonante, do gênero ‘oficial inquiridor’.

“Qual é a sua ocupação?” perguntou. Não sei o que me fez dizer isto; as palavras simplesmente saltaram-me da boca para fora:

“Sou Pesquisadora Associada no Campo do Desenvolvimento Infantil e das Relações Humanas.”

A funcionária fez uma pausa, a caneta de tinta permanente a apontar para o ar, e olhou-me como quem diz que não ouviu bem. Eu repeti pausadamente, enfatizando as palavras mais significativas. Então reparei, maravilhada, como ela ia escrevendo, com tinta preta, no questionário oficial.

“Posso perguntar”, disse-me ela com novo interesse, “o que faz exatamente nesse campo?”

Calmamente, sem qualquer traço de agitação na voz, ouvi-me a responder:

“Tenho um programa permanente de pesquisa (qualquer mãe o tem), em laboratório e no terreno (normalmente eu teria dito dentro e fora de casa). Trabalho para os meus Mestres (toda a família), e já passei quatro provas(todas meninas). Claro que o trabalho é um dos mais exigentes da área das humanidades (alguma mulher discorda?) e freqüentemente trabalho 14 horas por dia (para não dizer 24…).”

Houve um crescente tom de respeito na voz da funcionária que acabou de preencher o formulário, se levantou, e pessoalmente me abriu a porta. Quando cheguei a casa, com o troféu da minha nova carreira erguido, fui cumprimentada pelas minhas assistentes de laboratório - de 13, 7 e 3 anos.

Do andar de cima, pude ouvir a minha nova modelo experimental (uma bebê de seis meses) do programa de desenvolvimento infantil, testando uma nova tonalidade da voz. Senti-me triunfante!

Tinha conseguido derrotar a burocracia!

E fiquei no registro do departamento oficial como alguém mais diferenciado e indispensável à humanidade do que “uma simples mãe”!

Maternidade… Que carreira gloriosa! Especialmente quando se tem um título na porta.

Assim deviam fazer as avós: “Associada Sênior de Pesquisa no Terreno para o Desenvolvimento Infantil e de Relações Humanas”. As bisavós: “Executiva-associada Sênior de Pesquisa”. Eu acho!!! E também acho que para as tias podia ser: “Assistentes associadas de Pesquisa”.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Manter blog é terapêutico, afirmam pesquisadores

Além de diminuir o estresse, escrever sobre experiências pessoais pode trazer benefícios fisiológicos

UOL

A busca por uma vida mais saudável pode ser um dos motivos do enorme aumento do número de blogs. Estima-se que sejam cerca de 3 milhões por todo o planeta. Cientistas e escritores há anos conhecem os benefícios terapêuticos de escrever sobre experiências pessoais, pensamentos e sentimentos. Mas, além de servir como um mecanismo para aliviar o stress, expressar-se por meio da escrita traz muitos benefícios fisiológicos. Pesquisas mostram que com a prática da escrita é possível aprimorar a memória e o sono, estimular a atividade dos leucócitos e reduzir a carga viral de pacientes com aids e até mesmo acelerar a cicatrização após uma cirurgia. Um estudo publicado na revista científica Oncologist mostra que pessoas com câncer que escreviam para relatar seus sentimentos logo depois, se sentiam muito melhor, tanto mental quanto fisicamente, em comparação a pacientes que não se deram a esse trabalho. Pesquisadores empenham-se agora em explorar as bases neurológicas em jogo, especialmente levando em conta a explosão dos blogs. De acordo com a neurocientista Alice Flaherty, da Universidade Harvard e do Hospital Geral de Massachusetts, a teoria do placebo para o sofrimento pode ser aplicada a esse caso. Como criaturas sociais, recorremos a uma variedade de comportamentos relacionados à dor. A reclamação, por exemplo, funciona como um “placebo para conseguir satisfação”, afirma Flaherty. Usar o blog para “botar a boca no mundo”, expressar insatisfações e partilhar experiências estressantes pode funcionar da mesma forma. Flaherty, que estuda casos como a hipergrafia (desejo incontrolável de escrever) e também o bloqueio criativo, analisa modelos de doenças que explicam a motivação por trás dessa forma de comunicação. Por exemplo, as pessoas em estado de mania (pólo oposto à depressão, característico do transtorno bipolar) geralmente falam demais. “Acreditamos que algo no sistema límbico do cérebro fomente a necessidade de a pessoa se comunicar”, explica Flaherty. Localizada principalmente no centro do cérebro, essa área controla motivações e impulsos relacionados a comida, sexo, desejo e iniciativa para resolução de problemas. “Sabemos que há impulsos envolvidos na criação de blogs, pois muitas pessoas agem de forma compulsiva em relação a eles. Além disso, o hábito de mantê-los atualizados pode desencadear a liberação de dopamina, os estímulos são similares aos que temos quando escutamos música, corremos ou apreciamos uma obra de arte”, diz Flaherty.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

"Me engana que eu gosto"

"Me engana que eu gosto" Uma radiografia da mentira. Pois em tempos de Polígrafo, dizer a verdade é mais que um jogo ou um teste. É uma questão de caráter. Bem vindo ao jogo – ou aos fatos. Nesse exato momento em que lê a presente matéria, você pode estar diante das câmeras e o mundo todo te vê. Cada gesto seu pode estar sendo rigorosamente observado, analisado: o movimento de seus olhos e suas mãos, a expressão corporal, sua face, seu sorriso (ou a falta dele), seus lábios... Tudo, tudo... Até mesmo seus batimentos cardíacos e níveis de ansiedade e estresse. Traduzindo: você pode estar diante da “Máquina da Verdade” – ou, melhor explicando, do "Detector de Mentiras". Ou ainda, para ser mais exato nas terminologias, você pode estar diante do Polígrafo. Ante agora a essa verdade, a pergunta que não quer calar (procure ser rápido e sincero): você é um (a) mentiroso(a)? Antes que se ofenda e proteste, seja mais rápido e sincero: já mentiu alguma vez na vida, uma vezinha só? Se respondeu que “não” à primeira pergunta, é compreensível. O que pode significar que a “Máquina” detectou que... - tchan tchan, tchan, tchanaaannn – você pode estar dizendo a verdade. Mas se também disse “não” à segunda, acabou de mentir pela primeira vez em sua vida. E imagine o que a “Máquina” detectou? Se for bem sincero consigo mesmo, descobrirá que essa, com certeza, não foi sua primeira mentira. É como Jesus certa vez afirmou a um bando de acusadores: “Quem não tem pecados, que atire a primeira pedra”. Uma radiografia da mentira A mentira é algo tão comum e normal em nossos dias, e também presente em lugares tão diversos – do botequim a uma igreja – que é quase impossível combatê-la. Há pessoas tão habilitadas e teatrais na arte de mentir que, mesmo perante tribunais (em casos de investigação ou de CPI) ou diante das câmeras (em períodos eleitorais, por exemplo), são capazes de se mostrarem firmes e tranqüilos, sem jamais desconfiarmos delas. E há quem acredite que a vida sem a mentira é inconcebível. Numa reportagem publicada pela revista Veja (Edição nº 1771) intitulada “Por que todos mentem”, a psicóloga Mary Ann Mason afirmou: “Se nunca pudéssemos mentir... a convivência humana seria impossível em casa, no trabalho, em sociedade”. A reportagem de Veja informa (acredite, se quiser) que a mentira é um dos traços da humanização, e que o homem é incapaz de mentir até os 3 meses de idade. Diz ainda que os primeiros truques para chantagear mamãe e papai afloram a partir dessa idade. O psicólogo americano Gerald Jellison, da Universidade do Sul da Califórnia informou na matéria que, segundo seus cálculos, no decorrer de um dia normal qualquer – exceto em períodos políticos – um indivíduo escuta, vê ou lê duas centenas de mentiras. O que significa uma inverdade a cada cinco minutos. Segundo ele, a maioria dessas mentiras são inofensivas(será?) e que – acredite também, se quiser – “ajudam a harmonizar as relações interpessoais no cotidiano”. São mentiras do tipo: “Seu cabelo está ótimo, meu bem” ou “O trânsito estava um caos; por isso me atrasei. Desculpe.” De “pernas” longas e “nariz” pequeno Quem nunca ouviu falar do personagem Pinóquio, um menino-boneco que tinha o hábito de mentir e que, a cada vez que o fazia, seu nariz crescia? Seu pai, Gepeto, sempre lhe dizia que a mentira tem pernas curtas (além, claro, de fazer o nariz crescer). Contudo, se analisarmos o que tem acontecido na humanidade, desde que a “grande mentira” surgira na Terra – quando Satanás, incorporado numa serpente, enganara e seduzira Eva – veremos que a mentira, ao contrário do que dizia Gepeto, tem pernas longas e nariz pequeno, já que tem ido cada vez mais longe e poucos a detectam com facilidade. Vejamos os tipos mais comuns de mentirosos e como agem. Será que somos parecidos com algum deles? Não responda. - O mentiroso assumido: “Minto, não nego, e só paro quando quiser”. É aquele que, se pudesse, diria num tribunal: “Juro dizer a mentira, somente a mentira, e nada mais que a mentira”. Ele vive e até respira sob a mentira. E não tem nenhuma intenção de mudar. - O mentiroso mentiroso: Nunca assume que o é. Quando confrontado, sempre tem suas respostas na ponta da língua. Ai daquele que lhe diz o contrário. - O mentiroso enrolado: Sempre inventa uma desculpa ou uma história mirabolante para contar, a fim de justificar seus atos. - O mentiroso sincero: Isso mesmo que acabou de ler. Diferente do mentiroso assumido, ele nunca nega o que é. Mas também nunca muda. Poderíamos traçar aqui uma série de perfis de mentirosos - como o mentiroso chorão(que mente chorando, só para convencer os outros, a fim de receber o que quer), o mentiroso “santo”(que mente tão bem que ninguém jamais desconfia dele, pois tem cara e expressão de piedade. Ele sempre diz: “Fiz isso na melhor da intenções”) e até mesmo o mentiroso espiritual, que sempre mente e justifica seus atos a partir de chavões e frases desconexas extraídas da Bíblia - mas não é o caso. O que interessa saber é de que tipo somos e o que podemos fazer pra deixar de o sermos. Essas são apenas algumas das inúmeras expressões e manifestações que os mentirosos costumam esboçar quando estão mentindo(será que nos estamos em algum desses perfis?) Em cada uma dessas atitudes, a intenção clara é a de convencer, só para dar o golpe. Embora não seja um dos 7 pecados capitais, a mentira é tão letal quanto esses(e todos os outros) pecados. Da próxima vez, é bom pensar duas(ou mil) vezes antes de mentir. Antes que não só o nariz cresça, como também a desconfiança. Por que os mentirosos mentem? Mas, afinal, por que agimos dessa maneira? Que "forças" ou circunstâncias nos levam a faltar com a verdade e a sinceridade até mesmo para com aqueles que mais amamos? Aqui vão algumas das principais razões: - Medo: Esse talvez seja o maior motivo. Medo de perder o emprego, a família, a estima, os amigos, o amor... Enfim, tememos a perda. - Insegurança: Por não sabermos como agir em determinada situação, especialmente quando confrontados. - Fuga: Muitos recorrem constantemente a mentira, a fim de fugir de algo, quer de si mesmos, dos outros ou de alguma situação. - Benefício: Acostumadas a sempre ter vantagem em tudo, seja de quem for, essas pessoas têm a mentira e o engano como uma arma e uma aliada. - Vício: São tão habituadas à mentira e ao engano, que não conseguem mais fazer outra coisa. A verdade, para elas, é uma tormenta, por menor que seja ela. - Maldade: Movidos mais que por medo, insegurança, vício ou em benefício próprio, essas pessoas mentem só pelo prazer de mentir, por pura maldade. Virtudes como altruísmo e amor ao próprio jamais são vistas. Essas são talvez apenas algumas das inúmeras razões porque muitos recorrem ao expediente da mentira. Assim como é difícil para aqueles que se vêem presos à mentira desvencilhar dela, é também difícil (mas não impossívvel, claro) fazer o caminho inverso e retornar ao ponto de origem, onde tudo começou, quando a mentira era só um acidente. “Nada mais que a verdade, somente a verdade” Quem já não viu algum daqueles filmes, onde o policial prende o bandido e diz: “Você tem o direito de permanecer calado, e tudo o que disser poderá ser usado contra você no tribunal?” Isso demonstra que nossas palavras têm peso. É como Jesus diz: “Porque pelas tuas palavras serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado.” Como, então, retornarmos ao que éramos, antes de começarmos a mentirmos para nós mesmos, para os outros e até para Deus? Para que o indivíduo possa se ver livre de uma vez por todas do vício do engano e da mentira, é preciso que ele reconheça, primeiro, que precisa de ajuda, e depois, que dê o primeiro passo. Embora cada caso seja um caso, e que ninguém é igual a ninguém – o que significa que tudo deve ser avaliado – algumas dicas podem ajudar. - Primeiro: a confiança, o respeito e a sinceridade são virtudes e qualidades que só podem ser conquistadas, mas jamais impostas. E leva tempo. Assim, quanto mais cedo o mentiroso se empenhar por deixar a mentira, melhor. - Segundo: uma vez conquistados a confiança, o respeito e a sinceridade, todo cuidado é pouco. Cada compromisso assumido deve ser cumprido. - Terceiro: deve-se tomar cuidado com as palavras. Assim como acontece com o peixe, acontece com o mentiroso: ambos morrem pela boca. - Por último: pequenos gestos fazem uma grande diferença. Não é da noite para dia que o mentiroso deixará de mentir. Ele deve falar a verdade e ser sincero nas pequenas coisas do dia a dia. Jamais deve esquecer que o hábito de uma pequena desculpa de hoje, pode se tornar o vício da mentira amanhã. É como Tiago certa vez afirmou: “..Seja o sim de vocês, sim, e o não, não, para que não caiam em condenação.”(Tg. 5:12- NVI). Talvez a oração que Davi certa vez fez seja de utilidade pra os mentirosos: “Coloca, Senhor, uma guarda à minha boca...” (Sl. 141:3 – NVI). É bom lembrar o que diz os americanos: “Tudo o que disser poderá ser usado contra você no tribunal”. Sua língua é sua arma. E às vezes o tiro sai pela culatra. Um teste final Agora esqueça o Polígrafo, os sensores e o fato de estar sendo observado, e seja sincero com os outros e consigo mesmo (pra não dizer, com Deus, claro) e mais calmo ainda: gostou do que leu? Não responda em voz alta. Seja qual for a resposta, se foi sincero consigo mesmo e comigo, já deu o primeiro passo. A mentira em sua vida agora está prestes a se tornar apenas coisa do passado. E o céu agora é mais que uma garantia. É uma certeza. Pois assim está escrito: “Quem, Senhor, habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte? O que vive com integridade...”(Salmo 15:1a). Seria bom também recordar do sábio conselho do sábio Salomão: “A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto”.(Prov. 18:21) ::Por Marcelo Ferreira Jornalista marcelo.ferreira@lagoinha.com Texto Original:lagoinha.com

terça-feira, 14 de abril de 2009

Isaque e Rebeca

Assim como os pássaros precisam de um ninho, todo ser humano precisa de um lar. Por isso, o casamento se reveste de fundamental importância, suprindo necessidades afetivas e propiciando a condição para que a sexualidade seja vivida com responsabilidade e compromisso, de modo que os filhos sejam gerados e formados em um ambiente de amor e segurança. Algo que nos chama a atenção na experiência de Isaque e Rebeca é que eles não namoraram antes do casamento (Gn 24). Esse detalhe está diretamente ligado à cultura daquele povo naquela época, e não é nosso propósito copiar seus costumes. Alguém diria: “Isaque usava lamparina, mas nós temos lâmpadas elétricas”. Sem dúvida, eu também sou moderno e usufruo os benefícios da eletricidade, mas morrer eletrocutado já é modernidade demais. Vivemos em outra era e não vamos voltar ao passado. Entretanto, precisamos tomar cuidado com a nossa cultura, que se torna cada vez mais permissiva e destrutiva. É preciso encontrar um ponto de equilíbrio através da sabedoria que a palavra de Deus nos ensina.

RELAÇÕES MODERNAS

O namoro inventado pelo mundo ocidental tem seus aspectos positivos, permitindo que os pretendentes se conheçam e confirmem suas afinidades e propósitos. Entretanto, esse tipo de relacionamento também pode trazer uma série de transtornos. O namoro é uma relação muito mais flexível do que o casamento. Trata-se de um compromisso mais fraco, sem a regulamentação rígida das leis. Tais características facilitam a relação, mas podem também banalizá-la. Fato é que muitos namoros incluem o relacionamento sexual, ou seja, na prática, trazem alguns benefícios do casamento sem as respectivas responsabilidades. É como se, pelo fato de estarem namorando, as pessoas adquirissem direitos mútuos sobre seus corpos. Esse aspecto da cultura moderna oficializa a prática pecaminosa, fazendo com que muitos vivam numa espécie de prostituição gratuita.

“Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância e a mansidão” (1Tm 6.11).

O verdadeiro cristão deve tomar cuidado para que sua vida não seja destruída por uma situação desse tipo, que pode se tornar a brecha que o diabo procura para causar uma grande desolação. O que parece uma oportunidade pode ser uma cilada.

Os que entraram por esse caminho têm a opção de se casarem, regularizando seu estado diante de Deus e dos homens. Todavia, algumas pessoas não pretendem se comprometer, estando apenas à procura do seu próprio prazer imediato, em detrimento, talvez, de uma das partes, geralmente da mulher, que deseja constituir um lar. Situações assim podem culminar em gravidez indesejada, aborto, separação, mágoa, e dificuldades nos relacionamentos futuros.

O TEMPO

Isaque tinha 40 anos quando se uniu a Rebeca. Para ele era o tempo certo. É compreensível que as pessoas se casem em idade bem inferior à de Isaque, porque a expectativa de vida é bem menor hoje. Contudo, o que se observa não é tanto a realização de casamentos, mas pessoas namorando cada vez mais cedo, ainda no início da adolescência. Não posso nem pretendo definir regras e idades, mas apenas chamar a atenção para o bom senso, principalmente dos pais, que permitem que seus filhos sejam levados pela onda do mundo, sem que tenham idade suficiente para medirem as conseqüências de seus relacionamentos.

O cristão não deve namorar para se divertir, distrair ou para satisfazer seus instintos carnais. O namoro deve ter por objetivo o casamento, embora possa ser interrompido antes disso. Namoros levianos, sem propósito, fora do tempo, podem prejudicar toda a vida dos envolvidos. É como colher um fruto verde, que poderá não ser útil depois. Além da motivação dos desejos físicos e das paixões juvenis, parece que o jovem se vê diante da obrigação de namorar, porque seus amigos estão namorando. E, quando namora, parece que tem a obrigação de praticar o sexo. Alguns dizem até que se trata de uma prova de amor. É mentira do diabo. Quem ama espera.

“O amor é paciente, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (1Co13.4-7).

O sexo cria vínculos, obrigações e expectativas, chegando a alterar o rumo da vida, seja pela gravidez, pelas doenças venéreas ou por um casamento sem a preparação adequada. Quando se permite o envolvimento físico indevido, o aspecto racional das decisões seguintes pode ficar comprometido. Depois que se coloca o barco na correnteza, torna-se difícil o seu controle.

“Prepara os teus trabalhos de fora, apronta bem o teu campo; e depois edifica a tua casa.” (Pv 24.27). Existe uma época propícia para a dedicação aos estudos e à formação profissional. O ideal é que isto aconteça, ou seja, bem adiantado, antes da constituição familiar. Um namoro com intimidade física, seguido de uma gravidez não programada e um casamento precoce, pode cancelar muitos planos ou dificultá-los consideravelmente.

De qualquer modo, cada pessoa é livre para tomar suas próprias decisões. Não será tão livre, porém, na hora de enfrentar as conseqüências. Cada um escolhe as sementes que deseja semear, mas, no dia da colheita, não poderá escolher os frutos. “Alegra-te, mancebo, na tua mocidade, e anime-se o teu coração nos dias da tua juventude, e anda pelos caminhos do teu coração, e pela vista dos teus olhos; sabe, porém, que por todas estas coisas Deus te trará a juízo.” (Ec 11.9).

::Por Anísio Renato de Andrade

Bacharel em Teologia www.geocities.com/anisiorenato

Colaborador do portal Lagoinha.com

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A fé não questiona

“A fé não pergunta ‘Como’, ou ‘Quando’. Coloca-se nas mãos de Deus”. Essa frase é de autoria do teólogo Walter B. Knight. Ao escrevê-la, certamente ele pensou nas pessoas pessimistas, que duvidam sempre do que Deus pode fazer. É assim. Um pessimista freqüentemente pergunta: “Você acha que vai isso vai dar certo?” Ou: “Será que vamos conseguir?” A tendência dessa pessoa é colocar empecilhos e ver dificuldades em tudo, demonstrando assim incapacidade para enxergar o sobrenatural e visualizar as vitórias em Cristo Jesus. Pessoas negativas procuram sempre ‘matar’ os sonhos de outros. Não conseguem mover sequer um grão de mostarda, por isso jamais moverão montanhas: Disse-lhes ele: Por causa da vossa pouca fé; pois em verdade vos digo que se tiverdes fé como um grão de mostarda direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há de passar; e nada vos será impossível (Mt 17.20). A fé muitas vezes compartilhada gera dúvidas, e a dúvida não materializa a fé. Isto é, você pode compartilhar seus sonhos e projetos com pessoas negativistas que, em vez de apóia-lo, podem minar os seus sonhos. Não é prudente sair contando todos os seus planos de vida, compartilhar com todos. Pergunte o que elas acham: você pode contar nos dedos os que vão sonhar com você; poucos serão os que lhe darão uma palavra animadora. Mas pior do que ouvir o negativismo impregnado no coração de muitas pessoas é acreditar nele, e com isso esmorecer, desistir. Se você se deixar influenciar pela opinião dos outros, você começa a ficar em dúvida, mesmo tendo a convicção de que Deus falou ao seu coração. Então, você se torna incapaz de dar um passo de fé, se torna um fracassado. Talvez você esteja agindo assim com o seu semelhante, sendo uma pessoa que encara a vida com espírito negativo e espera pouco de bom dela. Quem sabe você tem sido aquela pessoa responsável por abortar os sonhos de seus filhos, de seus amigos, parentes ou irmãos em Cristo. Se isso tem sido um fato em sua vida, volte ao caminho da esperança da glória. A fé nada mais é do que a voz de Deus em nosso coração. Deus fala conosco, coloca dentro de nós a fé, e esta nos faz agir, dar o passo que foi determinado por Deus. Quando existir uma dificuldade à sua frente não questione e não murmure; simplesmente confie. Joseph Joubert, moralista francês, disse com exatidão qual deve ser a nossa atitude frente às dificuldades: “Você não pode evitar que a dificuldade bata à sua porta, mas não há necessidade de oferecer-lhe uma cadeira”. Quando a dificuldade chegar, encare-a de frente, não fuja dos problemas. No entanto, não deixe com que ela se sobreponha à sua fé, à sua convicção de vitória. Essa sim, é mais do que bem-vinda; ela deve permanecer em seu coração, lhe passar confiança e fazer você agir.  

Ana Paula Costa redacao@lagoinha.com Texto Original: Aqui

terça-feira, 7 de abril de 2009

Abrindo as covas onde caímos

Salmos 7.15

Quando cavamos uma cova teremos de entrar nela para que se torne funda. Se não entrarmos nela, logo deixaremos de alcançar o seu fundo, escavando desde o lado de cima da cova. Mas o homem orgulhoso, quando escava a própria cova, fala e fala, deixando seu próprio pecado escavar cada vez mais fundo, como que recusando-se a entrar nela, pois acha que a cova que sua língua desenfreada escava é para outros caírem nela. O que acontece de seguida é drástico demais para ser visto de perto, pois terá de se inclinar para dentro da cova mais e mais até que cai dentro dela apenas com o peso da gravidade duma mão de terra a ser levada para cima. Por essa razão, nenhum pecador se sustentará eternamente, pois acabará sempre por cair caso aprofunde a cova que faz sem parar em dado momento.

O pecado é sempre assim. Uma cova começa com a primeira mão de terra que causa um pequeno buraco no chão. O sexo desenfreado começa com imaginações e acaba com a vida normal de quem a ele se entrega, atraído pela sua concupiscência e desejos. Depois, em dado momento quando já nem retira prazer dele, mesmo assim mente e afirma que nada de melhor existe sobre a terra para se fazer. O alcoolismo começa sempre com uma gota de vinho e termina na desgraça, pois, pouco a pouco a cova vai ficando mais profunda e quanto mais depressa se bebe, tanto mais rápido se cai para dentro dela. A má-língua é outro mal incontrolável, o qual até exalta outros com o intuito de destruir a imagem de quem é seu motivo de amargura. A droga começa sempre com o primeiro cigarro que se fuma, o cancro do pulmão também e a ira de Deus virá sobre todos os viciados que cavam suas próprias covas dentro de si mesmos, ininterruptamente. Ou o pecador pára de escavar, ou cai eventualmente na cova que faz. É essa a ideia que retiramos deste Salmo, pois dita assim ainda: "Deus é um juiz justo, um Deus que sente indignação todos os dias. (12) Se o homem não se arrepender, Deus afiará a sua espada; armado e teso está o seu arco; (13) já preparou armas mortíferas, fazendo suas setas inflamadas. (14) Eis que o mau está com dores de perversidade; concedeu a malvadez, e dará à luz a falsidade. (15) Abre uma cova, aprofundando-a, e cai na cova que fez. (16) A sua malvadez recairá sobre a sua cabeça, e a sua violência descerá sobre o seu crânio", Sal.7:11-16.

Mas porque acontece isto deste modo então? Ora vejamos.

A ira de Deus deixa o homem escavar sua própria cova, pois lemos que "Deus sente indignação todos os dias". No livro de Romanos lemos ainda assim: "Por isso Deus os entregou, nas concupiscências de seus corações, à imundície, para serem os seus corpos desonrados entre si; (25) pois trocaram a verdade de Deus pela mentira e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito eternamente. Amém. (26) Pelo que Deus os entregou a paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural no que é contrário à natureza; (27) semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para como os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu erro. (28) E assim como eles rejeitaram o conhecimento de Deus, Deus, por sua vez, os entregou a um sentimento depravado, para fazerem coisas que não convêm; (29) estando cheios de toda a injustiça, malícia, cobiça, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, dolo, malignidade; (30) sendo murmuradores, detractores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais; (31) néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, sem misericórdia; (32) os quais, conhecendo bem o decreto de Deus, que declara dignos de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que as praticam", Rom.1:24-32.

Sabe porque razão os homens falam de mulheres arrogantemente? Não porque fizeram grande coisa alcançando a esposa do vizinho, mas antes porque a própria ira de Deus os entregou a que tal fizessem e "não somente as fazem, mas também aprovam os que as praticam". Sabe porque falam mal uns dos outros e nunca controlam suas linguarudas afirmações contra uns e a favor de outros? Deus, que se ira todos os dias contra quem acha que pecado é bom, entrega tais pessoas à escavação de sua própria cova para que caiam nela eventualmente. Haverá alguém que ache que não tem como e porque parar de pecar, de cobiçar, de falar sem colocar umas rédeas em suas linguarudas suposições? Podemos estar perante um caso de quem está sob o efeito da própria ira de Deus, colhendo os frutos de Sua indignação! Quem nunca pára de pecar, estará entregue à ir de Deus, pois foi Deus quem o entregou ao pecado. Cabe ao pecador entregar-se a Jesus, parando de escavar mais e mais ainda colocando freios em seu pecado que corre com ele desalmadamente. O pecado é como andar de foguetão para o inferno: quem vai dentro dele, está parado lá dentro e acha que não está em alta velocidade em direção à destruição de sua própria alma lamacenta e iníqua. Quando andamos de autocarro, comboio ou avião, estamos sempre parados dentro deles. Do mesmo modo somos entregues ao comboio da morte caso Deus esteja irado um de nós. Mas será por parecer que estamos inertes, mas andando, que achamos que nunca chegaremos ao nosso fim? Toda gente tem noção clara que está sendo levado para a morte e nada fazem para reverter essa situação.

Jesus tem solução para seu problema, mas que o orgulhoso deixe de escavar e coloque toda a terra de novo onde tirou.

Um certo homem teve um sonho: Deus entregou-lhe um saco para que o carregasse até ao topo duma torre. Este homem, feliz por conseguir levar um saco cheio e tão leve até ao topo daquela torre, chegou lá acima quando Deus lhe pediu que abrisse o saco. Logo verificou porque razão o saco era leve - chegou mesmo a pensar que era um certo fardo leve que Jesus pusera sobre ele -viu que carregou muitas penas de aves dentro do saco e por essa razão era seu fardo leve. Logo, antes mesmo de se indignar, Jesus lhe pediu para agarrar em algumas penas e atirar ao vento. Depois de fazer isso uma e outra vez, Jesus pediu então que as recolhesse todas e as colocasse dentro do saco de novo. Ficou estupefacto com tal coisa e disse: "Mas, é impossível! O vento levou tudo para longe e nunca conseguirei recolhê-las de volta! Impossível Senhor!" Então Jesus lhe disse: "é isso que acontece com cada palavra que sai de tua boca contra teus irmãos, amigos ou mesmo inimigos - nunca voltarão atrás". A má-língua é outro dos muitos pecados que as pessoas nunca se cansam de usar em seu favor quando escavam a cova que acham que é para alguém! Quaisquer maldizentes serão sempre vitimas, futuramente, de sua própria língua, "os quais maquinam maldades no coração; estão sempre projectando guerras. (3) Aguçaram as línguas como a serpente; peçonha de áspides está debaixo dos seus lábios. (4) Guarda-me, ó Senhor, das mãos dos ímpios", Sal.140:2-5.

"Os lábios do tolo entram em contendas e a sua boca clama por açoites. (Isto não quer dizer que o tolo entra em contendas, mas antes que quem entra em contendas é tolo). (7) A boca do tolo é a sua própria destruição e os seus lábios um laço para a sua alma. (8) As palavras do difamador são como bocados doces, que penetram até o íntimo das entranhas" Prov.18:6-8.

Vamos deixar de escavar covas onde Deus diz que vamos cair porque a ira assim determinou? "O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia", Prov.28:13. Vem maldizente, coloca freios em tua língua e deixa de falar fácil. É preciso colocar a terra de volta na cova e tapá-la. Quem mais cairá numa cova encerrada? Aquele que roubava que trabalhe para poder dar agora - que aprenda a fazer o oposto. Todo aquele que mentia, que fale a verdade - parar de mentir apenas (o que ainda não será falar a verdade!), não cobrirá sua cova com terra de volta. Vamos, pois lemos nas Escrituras que "virá um Redentor aos que se desviarem da transgressão, diz o Senhor", Is.59:20.

Fonte: Site ejesus www.ejesus.com.br

domingo, 5 de abril de 2009

A vida no limite

Já chegou a conviver com pessoas sem regras, horários, compromissos e obrigações, que acham que a vida e os outros só existem para servi-los a qualquer custo e a seu bel prazer? Se não é o caso, pelo menos conhece gente assim, seja alguém da família, vizinho, companheiro de trabalho (ou ministério), irmãos da igreja. Enfim. E sabe muito bem como é difícil – se não, impossível – tolerar tais pessoas ou atitudes. Só há uma razão que parece justificar esse tipo de comportamento: falta de limites. Esses indivíduos não sabem dominar a si mesmos, as suas responsabilidades e circunstâncias que lhe cercam, e muitas vezes, para manter a aparência ou para esconder algo, resolvem agir por conta própria, só para demonstrar que estão com tudo sob controle. A proposta da presente matéria não é a de discutir outras questões que possam estar por trás dessa falta de limites, como a educação e influências recebidas, bem como a questão espiritual. Fica para outro momento. A intenção não é outra senão a de trazer à luz um assunto não muito debatido no meio evangélico, mas que tem acarretado uma infinidade de problemas: a falta de limites na vida. O que é são limites? O Dicionário Silveira Bueno da Língua Portuguesa define o limite como “fronteira”, “linha de demarcação”. Podemos então dizer que limites é tudo aquilo que demarca, restringe e informa até onde se pode ir. Henry Cloud e John Towsend são autores do livro Limites, quando dizer sim, quando dizer não; assumindo o controlo de sua vida (Editora Vida, 1999). Eles afirmam: “Os limites nos definem o que eu sou e o que são os outros. Um limite pode mostrar onde termino e onde alguém começa, dando-me uma idéia de posse.” Os limites podem ser físicos e não-físicos: Limites físicos: Esses são fáceis de percebê-los e até mesmo de respeitá-los, uma vez que a punição ou o dano costuma ser imediato. É fácil entendê-los quando vemos ao nosso derredor placas, faixas, paredes, cercas e avisos. Todos esses elementos definem até onde podemos ir ou chegar, e infringi-los podem ser algo penoso e muitas vezes mortal. A mensagem é clara: não ultrapasse. “Os limites físicos marcam a linha visível de uma propriedade que pertence a alguém” , afirmam Cloud e Towsend . Limites não-físicos: Embora não tão fáceis de serem percebidos, são tão reais quanto o primeiro. E o preço que se paga por não respeitá-los também costuma ser altíssimo. E justamente por não serem tão perceptíveis assim, são muitos os que os infringem e sofrem as conseqüências, porque acabam colhendo o que plantam. E é justamente aí que surgem os problemas, principalmente de relacionamento, sejam porque esses limites não são expostos ou porque não são respeitados quando expostos. O que há por trás dos limites? Uma vez que os limites definem o que somos e onde podemos ir, é bom sabermos o que está por trás deles. Cloud e Towsend tem a palavra sobre a questão: Sentimentos: Logo de cara eles afirmam; “Os sentimentos têm sofrido um forte golpe no mundo cristão. Já foram chamados de tudo, desde supérfluos até carnais.” Quando não há a compreensão de que todos temos sentimentos, e portanto precisam ser respeitados, os limites começam a ser infringidos. Porém, Cloud e Towsend afirmam: “...Seus sentimentos são sua responsabilidade e você deve assumi-los e entendê-los como problema seus, para que possa começar a buscar uma resposta pra o que eles estão dizendo.” Atitudes e crenças:> “Qem tem problemas com limites normalmente distorce suas atitudes e responsabilidades. Acha que ser responsável por seus sentimentos, escolhas e comportamentos é algo desprezível”, afirmam Cloud e Towsend. Comportamento: Limites e comportamentos andam de mãos dadas. Só quando se tem atitudes corretas que os limites começam a ficar claros. E quanto mais cedo se entende isso, melhor. Escolhas: “Estabelecer limites inevitavelmente implica em assumir responsabilidades pelas escolhas. É você quem decide.” É o que dizem Cloud e Towsend. Não há como definir limites se não estabelecer escolhas. Valores: Geralmente nossas escolhas refletem nosso valores, aquilo que pensamos a respeito da vida e das pessoas. É por isso que os limites definem quem somos. Restrições: A partir do momento que estabelecemos nossas escolhas a partir do que valorizamos, estamos criando restrições ao que é ou não permitido. Talentos: “Nossos talentos estão claramente dentro dos nosso limites e são de nossa responsabilidade”, opinam Jonh Towsend e Henry Cloud. Pensamentos: Se não expomos o que pensamos aos outros, dificilmente os outros respeitarão nossos limites. Por mais que se saiba sobre uma pessoa, não dá para saber o que se passa sobre a sua mente. E muitas vezes os limites não são respeitados porque não se sabe o que se quer ou pensa. Desejos: A partir do momento que definimos o que queremos, podemos impor limites a nós mesmos e aos outros, e partir em busca do que queremos. Amor: É praticamente impossível receber ou impor limites com satisfação se não há amor, carinho, reciprocidade. A grande maioria (pra não dizer todos) dos problemas com relação a limites surgem porque falta o amor. E é justamente na família que isso acontece. O que somos hoje decorre principalmente do amor ou da falta dele. A vida no limite Como deve ser a vida com limites? Vale a pena? É Bom? Traz resultados? Essas podem ser algumas indagações daqueles que ainda não conhecem a importância de se ter limites na vida, ou daqueles que simplesmente os ignoram e se ressentem de que os impõe. Há uma série de benefícios e vantagens decorridos de uma vida no controle. Dentre as muitas, podemos citar o domínio próprio, o respeito alheio e o controle sobre as escolhas e decisões. Aqueles que vivem no limite, sabem para onde estão indo e como estão indo. Aqueles que impõe e respeita os limites, não só são amados, mas são capazes também de amar. São disciplinados, organizados, e sempre colhem os frutos de seu penoso trabalho. Penoso porque não é fácil receber ou impor limites. Mas a recompensa é valiosa. Porque, afinal, limite e respeito todo mundo gosta. Inclusive Deus. E a melhor notícia: não estamos sós. Vivamos no limite. Marcelo Ferreira redacao@lagoinha.com Texto Original: Lagoinha.com